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domingo, 12 de abril de 2020

PÁSCOA | 12 DE ABRIL


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Solenidade] As principais celebrações da Igreja recebem o nome de solenidade. Como o próprio nome indica, a solenidade é "a festa das festas".


Estamos na festa da Páscoa, que é a festa cristã por excelência. Para compreender bem o sentido desta Festa, partamos do texto do Quarto Evangelho“Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Cf. Jo 13,1). Este versículo nos indica várias coisas: A Páscoa de Jesus deu-se dentro da Páscoa dos judeus: foi no quadro da Páscoa judaica que ele instituiu e celebrou a sua. Na Páscoa de Jesus a Páscoa judaica é cumprida, isto é, encontra sua realização plena: a libertação definitiva não foi aquela, dos judeus, que saíram do Egito, atravessaram o mar e entraram na Terra Prometida, mas sim a de Jesus, que saiu deste mundo, atravessou o mar tenebroso da morte e entrou na plenitude do Pai.
A palavra “páscoa” é explicada pelos judeus como significando “passagem”: “passagem” porque Deus feriu os primogênitos dos egípcios, mas “passou” adiante na casa dos hebreus, poupando seus primogênitos: Deus passou pelo Egito e “pulou” as casas do povo de Israel (Ex 11,1-10); “passagem”, também, porque Israel passou pelo mar, saindo do estado de escravidão para a liberdade, como povo: o Senhor Deus “passou” pelo Egito para fazer seu povo “passar”! Quando Deus “passou” pelo seu povo, o povo de Deus “passou” para uma nova vida, para a liberdade rumo à Terra Prometida. Nosso Deus é assim: passando, faz passar! A Páscoa dos judeus é, portanto, páscoa de Deus e páscoa do povo de Israel. Era isso que os judeus celebravam na Páscoa. Ora, Jesus vai celebrar agora a sua Páscoa, sua “passagem deste mundo para o Pai”! É esta, precisamente, a Páscoa de Jesus. Ele mesmo afirmou, certa vez: “Saí do Pai e vim ao mundo; agora deixo o mundo e volto ao Pai!” (Jo 16,28).
A Páscoa de Jesus é um ato de amor total e extremo por nós… é para nossa salvação que Jesus fez sua Páscoa. Fez sua “Passagem” para que também nós façamos a nossa: Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”, até o extremo. É verdade que traíram Jesus, humilharam-no, tiraram-lhe a vida… Mas, por outro lado, ele se entregou livremente, em obediência ao desígnio do Pai: “Eu dou minha vida para retomá-la. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou livremente. Tenho poder de entregá-la e poder de retomá-la; este é o mandamento que recebi do meu Pai” (Jo 10,17s). E isto, por amor a nós, pois morrendo e ressuscitando, ele nos daria o seu Espírito Santo, no qual ele mesmo fora ressuscitado, de modo que a “passagem” de Jesus para o Pai nos abrisse o caminho e pudéssemos “passar” também para o Pai: “Vou preparar-vos um lugar, e quando eu me for e vos tiver preparado um lugar, virei novamente e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver, estejais vós também. Eu sou o Caminho!” (Jo 14, 2.6).
Tendo recebido no Batismo o mesmo Espírito Santo no qual Jesus se entregou ao Pai (Hb 9,14) e no qual o Pai ressuscitou Jesus (Rm 1,4), nós participamos na nossa vida, em cada pequena dor, em cada decepção, em cada tristeza, em cada morte, da morte de Cristo; vamos sofrendo com ele, morrendo com ele… e, com ele, caminhamos para a ressurreição definitiva: “Ou não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados? Portanto, pelo Batismo nós fomos sepultados com ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova. Porque se nos tornamos uma coisa só com ele por uma morte semelhante à sua, seremos uma coisa só com ele também por uma ressurreição semelhante à sua” (Rm 6,3-5).
Esta Páscoa sagrada do Senhor e nossa, a Igreja celebra a cada Domingo e até a cada dia na Eucaristia e, de modo soleníssimo, uma vez ao ano, com o Tríduo Pascal e os subsequentes cinquenta dias, terminando com a solenidade de Pentecostes, celebração do dom do Espírito que o Ressuscitado fez e faz à sua Igreja. Na potência do Espírito, no qual ele mesmo foi ressuscitado pelo Pai, Jesus está e estará sempre conosco, de modo real e concreto, guiando a preservando a sua Igreja, até a consumação dos séculos.
Um Dia, que já não mais será um dos dias deste nosso tempo, o Senhor morto e ressuscitado, “Cordeiro de pé, como que imolado” (Ap 5,6), se manifestará na glória do seu Espírito Santo – o mesmo que já habita em nós desde o batismo – e levará todas as coisas à plenitude. Então, tendo transfigurado tudo no seu Espírito, Cristo entregará tudo ao Pai e o Reino de Deus será plenamente consumado… e nós, plenificados, estaremos eternamente com o Senhor, num mundo liberto e renovado… e Deus, o Pai, será tudo em todos, pelo Filho, na glória do Espírito (1Cor 15,20-28).
Eis a nossa fé, nossa certeza, nossa esperança, nosso sonho… já começado no Dia da Páscoa! Pela Páscoa, e somente pela Páscoa, somos cristãos! A Ressurreição não é uma ilusão, não é uma quimera; é uma estupenda Realidade: “Eu sou a Ressurreição! Quem crê em mim, ainda que morra, viverá!” (Cf. Jo 11,25) Feliz e abençoada Páscoa, prenhe da graça santificante, para todos os homens e mulheres de boa vontade, Amém!
Cardeal Orani João TempestaArcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ) - CNBB

sábado, 11 de abril de 2020

VIGÍLIA PASCAL | CELEBRAÇÃO DAS LUZES | 11 DE ABRIL


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Solenidade] As principais celebrações da Igreja recebem o nome de solenidade. Como o próprio nome indica, a solenidade é "a festa das festas".


A Vigília Pascal antecede o dia da Páscoa, o Domingo da Ressurreição de Jesus

Semana Santa é a Semana das semanas! Neste tempo, vivemos a intensidade do Mistério Pascal, que é constituído pela Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. É certo que, a cada domingo, dia do Senhor, nós revivemos e celebramos esse mistério. E, é certo também que, em cada Santa Missa, celebramos vivamente o Mistério Pascal. Mas, todo o ano decorre desta Semana Santa. A Vigília Pascal é uma Fonte da graça de Deus. Nesta Semana, o nosso coração é alimentado pela força do amor do Pai.O Sábado Santo é precedido pelo Domingo de Ramos, onde acompanhamos Jesus no Triunfo e na Paixão. Ele é acolhido em Jerusalém como um Rei, com hinos, ramos nas mãos; por onde Ele ia passando, roupas eram jogadas pelo chão e havia muita euforia. Na mesma liturgia é narrada a Paixão do Senhor. O Triunfo e a Paixão de Jesus nos faz pensar nos nossos altos e baixos ao longo da vida. Em Jesus encontramos sabedoria e discernimento para louvarmos a Deus nas conquistas e confiarmos n’Ele nas horas amargas.

A Vigília Pascal faz parte do Tríduo Pascal

O Sábado Santo é chamado de Vigília Pascal. Na Igreja e na Liturgia Católica, antes de todas as grandes solenidades, há uma celebração de véspera ou vigília. A Vigília Pascal antecede o dia da Páscoa, o Domingo da Ressurreição de Jesus.
A Vigília Pascal faz parte também do Tríduo Pascal, onde vivemos com profundidade os passos de Jesus rumo ao Calvário, ao Sepulcro e à Ressurreição. Este Tríduo começa com a Quinta-feira Santa pela conhecida “Missa do Lava-pés”, por meio da qual Jesus instituiu a Eucaristia e o Sacerdócio, com uma recomendação: “Fazei isso em minha memória” (Lc 22,19). A Eucaristia e o Sacerdócio nasceram do coração de Jesus, em torno de uma mesa, para que se fosse cumprida uma promessa do Senhor: “Eis que estarei convosco, todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20). Tanto pela Eucaristia, como pelo Sacerdócio, o Senhor continua no meio de nós!
Na Sexta-feira Santa, até a natureza silencia-se. O Cordeiro é imolado. Jesus, morre na Cruz, rezando: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46)! E aí Jesus entrega toda a Sua história e missão. Jesus entrega a Igreja e toda a humanidade. Jesus nos entrega ao Pai. Com essa entrega, Ele coloca em prática o Seu ensinamento: “Ninguém tem maior amor do que Aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13).

A cada dia mais um passo e mais próximo do ápice

Diante da Vigília Pascal, é como se a Igreja e cada fiel estivessem escalando uma alta montanha. A cada dia mais um passo e mais próximo do ápice! A cada celebração do Tríduo Pascal, mais perto do cume, do lugar mais alto. Depois desta caminhada, com o coração aberto e os olhos bem atentos no Senhor, chegamos à grande noite do Sábado Santo, da Vigília Pascal.
O Sábado Santo é celebrado ao escurecer do dia, à noite. Até as luzes da Igreja são apagadas. Todo o povo se reúne na escuridão. Esta Liturgia é muito rica nos sinais, nos gestos e símbolos. É na Vigília Pascal que acontece a bênção do fogo. O Círio Pascal, uma vela bem grande, é aceso no fogo novo, trazendo o ano que estamos vivendo e duas letras do alfabeto grego, ou seja, o Alfa e o Ômega, que representam Jesus, nossa Luz, Princípio e Fim de tudo e de todos, Senhor do tempo e da história!

Partes fundamentais da Vigília Pascal

A Vigília Pascal tem quatro partes fundamentais: Liturgia da Luz, da Palavra, do Batismo e da Eucaristia. É comum crianças e adultos serem batizados nesta celebração, quando todos renovam sua fé e confiança no Deus Altíssimo. A Palavra de Deus recorda toda caminhada do povo de Israel, aguardando o Messias, e apresenta Jesus como o verdadeiro Messias, Salvador. O Povo de Deus, pede a intercessão dos santos para que continuem perseverantes no seguimento de Jesus, que trouxe ao mundo uma Boa Notícia e alimenta-se da Eucaristia, Remédio Santo, que cura as enfermidades do corpo e da alma.A Vigília Pascal é uma celebração solene e com uma catequese muito profunda. Quando participamos, cheios de atenção e desejo de nos encontrarmos com o Senhor, ficamos maravilhados com a beleza e o esplendor em torno de Jesus, nossa Luz. A Vigília Pascal transforma a noite mais clara que o dia, e nos impulsiona a irmos ao encontro do Senhor Ressuscitado, para vê-Lo e acreditar na vitória da vida sobre a morte. A Ressurreição de Jesus torna o Sábado Santo uma Noite de Luz!
FONTE : Equipe Formação Portal Canção Nova

sexta-feira, 10 de abril de 2020

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO | 10 DE ABRIL


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?
  • A espiritualidade da Sexta-feira Santa
Neste dia, Sexta-feira Santa, que os antigos chamavam de “Sexta-feira Maior”, quando celebramos a Paixão e Morte de Jesus, o silêncio, o jejum e a oração devem marcar este momento. Ao contrário do que muitos pensam, a Paixão não deve ser vivida em clima de luto, mas de profundo respeito e meditação diante da morte do Senhor que, morrendo, foi vitorioso e trouxe a salvação para todos, ressurgindo para a vida eterna.
É preciso manter um “silêncio interior” aliado ao jejum e à abstinência de carne. Deve ser um dia de meditação, de contemplação do amor de Deus que nos “deu o Seu Filho único para que quem n’Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). É um dia em que as diversões devem ser suspensas, os prazeres, mesmo que legítimos, devem ser evitados.
Uma prática de piedade valiosa é meditar a dolorosa Paixão do Senhor, se possível diante do Sacrário, na Igreja, usando a narração que os quatro evangelistas fizeram.

Aprender o quanto é grande o pecado

Outra possibilidade será usar um livro para meditação como “A Paixão de Cristo segundo o cirurgião”, no qual, o Dr. Pierre Barbet, francês, depois de estudar por mais de vinte anos a Paixão, narra com detalhes o sofrimento de Cristo. Tudo isso deve nos levar a amar profundamente Jesus Crucificado, que esvaziou-se totalmente para nos salvar de modo tão terrível. Essa meditação também precisa nos levar à associação com a Paixão do Senhor, no sentido de tomar a decisão de “gastar a vida” pela salvação dos outros. Dar a vida pelos outros, como o Senhor deu a Sua vida por nós. “Amor só se paga com amor”, diz São João da Cruz.
A meditação da Paixão do Senhor deve mostrar-nos o quanto é hediondo o pecado. É contemplando o Senhor na Cruz, destruído, flagelado, coroado de espinhos, abandonado, caluniado, agonizante até a morte, que entendemos quão terrível é o pecado. Não é sem razão que o Catecismo diz que pecado é “a pior realidade para o mundo, para o pecador e para a Igreja”. É por isso que Cristo veio a este mundo para ser imolado como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Só Ele poderia oferecer à Justiça Divina uma oblação de valor infinito que reparasse todos os pecados de todos os homens de todos os tempos e lugares.

Celebração das 15 horas

O ponto alto da Sexta-feira Santa é a celebração das 15 horas, horário em que Jesus foi morto. É a principal cerimônia do dia: a Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da cruz e comunhão eucarística. Nas leituras, meditamos a Paixão do Senhor, narrada pelo evangelista São João (cap. 18), mas também, prevista pelos profetas que anunciaram os sofrimentos do Servo de Javé. Isaías (52,13-53) coloca, diante de nossos olhos, “o Homem das dores”, “desprezado como o último dos mortais”, “ferido por causa dos nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes”. Deus morreu por nós em forma humana.
Neste dia, podemos também meditar, com profundidade, as “sete palavras de Cristo na Cruz” antes de sua morte. É como um testamento d’Ele:
“Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”;
“Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso”;
“Mulher, eis aí o Teu filho (…) Eis aí a Tua Mãe”;
“Tenho Sede!”;
“Eli, Eli, lema sabachtani? – Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonastes?”;
“Tudo está consumado!”;
“Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito!”.
À noite, as paróquias fazem encenações da Paixão de Jesus Cristo com o sermão da descida da Cruz; em seguida, há a Procissão do Enterro, levando o esquife com a imagem do Senhor morto. O povo católico gosta dessas celebrações, porque põe o seu coração em união com a Paixão e os sofrimentos do Senhor. Tudo isso nos ajuda na espiritualidade deste dia. Não há como “pagar” ao Senhor o que Ele fez e sofreu por nós; no entanto, celebrar com devoção o Seu sofrimento e morte Lhe agrada e nos faz felizes. Associando-nos, assim, à Paixão do Senhor, colheremos os Seus frutos de salvação.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

SOLENIDADE DE QUINTA-FEIRA SANTA | 9 DE ABRIL


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?
[Solenidade] As principais celebrações da Igreja recebem o nome de solenidade. Como o próprio nome indica, a solenidade é "a festa das festas".

A Quinta-feira Santa faz parte da preparação para a Páscoa

Neste dia, começa o Tríduo Pascal, a preparação para a grande celebração da Páscoa, a vitória de Jesus Cristo sobre a morte, o pecado, o sofrimento e o inferno.
Este é o dia em que a Igreja celebra a instituição dos grandes sacramentos da ordem e da Eucaristia. Jesus é o grande e eterno Sacerdote, mas quis precisar de ministros sagrados, retirados do meio do povo, para levar ao mundo a salvação que Ele conquistou com a Sua Morte e Ressurreição.
Jesus desejou ardentemente celebrar aquela hora: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de sofrer” (Lc 22,15).
Na celebração da Páscoa, após instituir o sacramento da Eucaristia, ele disse aos discípulos: “Fazei isto em memória de Mim”. Com essas palavras, Ele instituiu o sacerdócio cristão: “Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.” (cf. Lc 22,17-19)
Na noite em que foi traído, mais Ele nos amou, pois bebeu o cálice da Paixão até a última e amarga gota. São João disse que “antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou.” (Jo 13,1)

Instituição do sacramento da confissão

Depois que Jesus passou por toda a terrível Paixão e Morte de Cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus por cada pessoa.
Aos mesmos discípulos ele vai dizer, depois, no Domingo da Ressurreição: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,23). Estava, assim, instituída também a sagrada confissão, o sacramento da penitência; o perdão dos pecados dos homens que Ele tinha acabado de conquistar com o Seu Sangue.
Na noite da Ceia Pascal, o Senhor lavou os pés dos discípulos, fez esse gesto marcante, que era realizado pelos servos, para mostrar que, no Seu Reino, “o último será o primeiro”, e que o cristão deve ter como meta servir e não ser servido. Quem não vive para servir não serve para viver; quem não vive para servir não é feliz, porque a autêntica felicidade o tempo não apaga, as crises não destroem e o vento não leva; ela nasce do serviço ao outro, desinteressadamente.
Confira no vídeo abaixo uma explicação sobre esse tempo na Igreja:
Nessa mesma noite, Jesus fez várias promessas importantíssimas à Igreja que instituiu sobre Pedro e os apóstolos. Prometeu-lhes o Espírito Santo, e a garantia de que ela seria guiada por Ele a “toda a verdade”. Sem isso, a Igreja não poderia guardar intacto o “depósito da fé”, que São Paulo chamou de “sã doutrina”. Sem a assistência permanente do Espírito Santo, desde Pentecostes, ela não poderia ter chegado até hoje e não poderia cumprir sua missão de levar a salvação a todos os homens de todas as nações.
”E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.” (Jo 14, 16-17).

Igreja, coluna e fundamento da verdade

Que promessa maravilhosa! O Espírito da Verdade permanecerá convosco e em vós. Como pode alguém ter a coragem de dizer que, um dia, a Igreja errou o caminho? Seria preciso que o Espírito da Verdade a tivesse abandonado.
”Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.” (Jo 14, 25-26)
Na Última Ceia, o Senhor deixou à Igreja essa grande promessa: O Espírito Santo “ensinar-vos-á todas as coisas”. É por isso que São Paulo disse a Timóteo que “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15). Quem desafiar a verdade de doutrina e de fé, ensinada pela Igreja, vai escorregar pelas trevas do erro.
Na mesma Santa Ceia, o Senhor lhes diz: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade…” (Jo 16,12-13)
Jesus sabia que aqueles homens simples não tinham condições de compreender toda a teologia cristã; mas lhes assegura que o Paráclito lhes ensinaria tudo, ao longo do tempo, até os nossos dias de hoje. E o Sagrado Magistério dirigido pelo Papa continua assistido pelo Espírito de Jesus.
São essas promessas, feitas à Igreja na Santa Ceia, que dão a ela a estabilidade e a infalibilidade em matéria de fé e costumes. Portanto, não só o Senhor instituiu os sacramentos da Eucaristia e da ordem, na Santa Ceia, mas colocou as bases para a firmeza permanente da Sua Igreja. Assim, Ele concluiu a obra que o Pai Lhe confiou, antes de consumar Sua missão na cruz.

domingo, 5 de abril de 2020

SOLENIDADE DE DOMINGO DE RAMOS | 5 DE ABRIL


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Solenidade] As principais celebrações da Igreja recebem o nome de solenidade. Como o próprio nome indica, a solenidade é "a festa das festas".


A celebração do Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa na Igreja Católica. Para entender mais sobre esse momento da liturgia da Igreja, o missionário redentorista padre Rodrigo Arnoso explica o significado dessa celebração.
Segundo o missionário, a celebração do domingo de Ramos é um reconhecimento de que Jesus é o Filho de Deus. As comunidades costumam levar ramos de palmeiras e oliveiras para celebrar a Entrada Triunfal. "Cantamos: Bendito o que vem em nome do Senhor. N'ele encontramos a nossa salvação".

domingo, 29 de março de 2020

Três Mártires Carmelitas de Guadalajara - Beatas | 29 DE MARÇO

A Igreja festeja hoje, a 29 de Março, a memória destas inocentes três irmãs carmelitas, assassinadas pelo ódio comunista à Santa Igreja naquele dia de 24 de julho de 1936, na cidade de Guadalajara, em Espanha. Foram beatificadas pelo Papa João Paulo II, a 29 de março de 1987.


IRMÃ TERESA DO MENINO JESUS:
Eusébia Garcia, segundo o nome de baptismo, nasceu a 5 de março de 1909, em Mochales, Guadalajara, Espanha. Segunda de oito irmãos, um dos quais sacerdote. Desde pequena que sentiu atração pela virtude da pureza, que aos nove anos de idade fez um voto de castidade, que daí por diante foi renovando anualmente até professar no Carmelo. Enquanto estudante, leu um livro que a veio marcar profundamente: "A História de Uma Alma", autobiografia de Santa Teresinha do Menino Jesus. No desejo de lhe imitar o exemplo, entrou para o Carmelo de Guadalajara aos 16 anos, no dia 4 de novembro de 1925. Jovem cristã de grandes qualidades, escreveu nos seus apontamentos espirituais: "Não me desanimam os meus defeitos. Pelo contrário, tenho mais ocasiões de merecer e lutar contra eles. Não gosto da vida dos santos que só falam das suas virtudes, ocultando-lhes os defeitos e as lutas". Escreveu um dia também o seguinte: "Se sou vítima, porque me queixo quando me cravam a faca? às vitimas destinadas ao holocausto cravavam-lhes a faca e depois queimavam-nas, para que fossem consumidas. Assim devo eu deixar que me cravem a faca, me despedacem e consumam". Assim deslizou a sua vida até que o martírio a veio colher para o céu com apenas 27 anos de idade.






IRMÃ MARIA DO PILAR:
Jacoba Martínez Garcia nasceu em Terazona a 30 de dezembro de 1877. No convento escolheu o nome de Maria do Pilar. Eram 11 irmãos, dos quais 8 morreram crianças. Dos três restantes, um fez-se sacerdote, e as duas meninas entraram no convento das carmelitas de Guadalajara. Aos 21 anos de idade, a 12 de outubro de 1898, entrou para o convento. No dia 15 de outubro de 1899 fez a sua profissão religiosa na Missa celebrada pelo seu irmão. A mãe, presente na cerimónia exclamava ao sair da igreja: "O Senhor fez-me feliz demais! O meu único filho é um santo sacerdote e deu-me a Comunhão... e as minhas duas filhas estão aqui no convento a comungar também de suas mãos!". Durante 38 anos viveu com piedade e extaidão a regra de religiosa carmelita. Ao estalar a revolução, escreveu: "Se nos levarem ao martírio, iremos a cantar como as nossas irmãs de Compiègne. Cantaremos: Coração Santo, Tu reinarás". 




Convento de San Jose das Irmãs Carmelitas em Guadalajara (Espanha) nos dias de hoje


IRMÃ MARIA DOS ANJOS:
Como as anteriores, também Mariana - era este o seu nome de baptismo - pertencia a uma família numerosa. Era a mais nova de 10 irmãos. Tendo falecido seis, ficaram quatro meninas, das quais dizia o seu piedoso pai: "Quatro filhas tenho, e a minha maior alegria neste mundo seria vê-las consagradas a Deus". E assim aconteceu. Todas as quatro irmãs vieram a entrar em congregações religiosas. Aos 24 anos, a 14 de julho de 1929, despede-se de seu idoso pai e entra no Carmelo de Guadalajara, onde toma o nome de Maria dos Anjos. A sua ânsia, que o Senhor satisfez plenamente, era o martírio, como escreveu nos seus Apontamentos Espirituais: "Meu Deus, recebei a minha vida entre as dores do martírio e em testemunho do meu amor para Convosco".

Convento de San Jose das Irmãs Carmelitas em Guadalajara (Espanha) nos dias de hoje



O MARTÍRIO:
As três Irmãs Maria do Pilar, Maria dos Anjos e Teresa do Menino Jesus, tiveram de deixar, como todas as outras religiosas, o convento no dia 24 de julho de 1936. Apesar de terem tirado o hábito, e trajarem trajes civis, são reconhecidas por um bando de milicianos e milicianas comunistas espanhois, e uma das quais grita para os camaradas:
- São freiras! Disparem!
Ouvem-se vários tiros das espingardas. Como pombas perseguidas, batem as inocentes Irmãs à porta de duas famílias conhecidas. Como ninguèm lhes abre, voltam à rua. Um tiro certeiro no coração prosta no chão a Irmã Maria dos Anjos, que morre quase imediatamente.


Ilustração do martírio da Irmã carmelita Maria do Pilar.



A Irmã Maria do Pilar teve martírio mais doloroso. As balas destroçaram-lhe a coluna vertebral, atravessaram-lhe o ventre e fraturaram-lhe um joelho e os ombros. Estendida no chão, a esvair-se em sangue, um comunista ainda lhe atravessou a região lombar com um punhal. Entre horriveis tormentos, dores e sede abrasadora, exclamava, como Cristo no alto da Cruz: "Tenho sede... Meu Deus, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem!". Beijando o crucifixo que lhe aproximou dos lábios uma Irmã da Caridade do Hospital para onde foi levada, entregou placidamente a sua alma a Deus.

Milicianos comunistas preparam-se para incediar o Carmelo de San José de Guadalajara, após terem assassinado as três Irmãs.




A Irmã Teresa do Menino Jesus, ao fugir, viu-se cercada por um bando de milicianos. Aparece de repente outro camarada que os repreende fortemente, incitando-lhes a soltar aquela alma inocente. Os seus colegas deixam-na e ele exclama em tom amigo e paternal: "São uns bandidos. Estou aqui para te proteger. Vem comigo, levo-te a um refúgio seguro. Não temas. Tem confiança em mim".
A boa irmã Teresa deixou-se levar, acreditando nessas palavras. Depois de atravessarem algumas ruas, chegam a um descampado, perto do cemitério. Então, o lobo tira por fim a pele de cordeiro e revela toda a sua maldade. Procura violar sexualmente a jovem Irmã, prometendo-lhe a liberdade. Juntam-se-lhe mais três valentes comunistas com o mesmo intento: violar e profanar a virgindade daquela jovem religiosa carmelita. Nunca cede perante os desejos dos homens. Ela repele-os energicamente e procura escapar-se. Pretendêm então que dê vivas ao comunismo e que renegue a sua Fé. Como resposta só ouvem este grito: "Viva Cristo Rei!". Deixam-na então fugir. Corre com o braços em cruz, sabendo que irá ser morta. Cai mortalmente ferida com o rosto por terra, banhado em sangue. Ali sozinha, como Cristo no Jardim das Oliveiras, agonizou em grande paz, com a Fé e a virgindade intactas.


Ilustração do martírio da Irmã carmelita Teresa do Menino Jesus. 





As três Irmãs carmelitas de Guadalajara foram, para alegria de toda a Igreja (e Igreja não são os edíficios, são as pessoas!) foram beatificadas no dia 29 de março de 1987 pelo Papa João Paulo II.

Hoje, os seus restos mortais repousam no seu convento, o Carmelo de San José em Guadalajara.

Sepultura das três beatas: Maria dos Anjos, Maria do Pilar e Teresa do Menino Jesus.



Beatas Carmelitas Mártires de Guadalajara que sofrestes sem culpa alguma com o ódio e a incompreensão dos inimigos de Cristo, mas que morrestes com palavras de amor e perdão nos lábios suplicando pelos vossos assassinos, rogai por mim, que sou pecador!

quarta-feira, 25 de março de 2020

SOLENIDADE DA ANUNCIAÇÃO DO SENHOR | 25 DE MARÇO


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Solenidade] As principais celebrações da Igreja recebem o nome de solenidade. Como o próprio nome indica, a solenidade é "a festa das festas".


 “Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo”… (Lc 1,31)


“Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a Vossa vontade.”  (Lc 1, 38)
A Solenidade da Anunciação do Senhor é uma das mais belas festividades Marianas. Com o anúncio da Encarnação do Filho de Deus à Virgem Maria, Deus entra em nosso mundo fazendo-se humano como nós. Assim, a entrada do Verbo Divino (Nosso Senhor Jesus Cristo) em nosso meio eleva a natureza humana a um grau de santidade jamais imaginado por alguém. Pelo “sim” de Maria manifesta-se a maior expressão do amor de DEUS por toda a humanidade.
Maria, o primeiro sacrário vivo da Eucaristia, recebeu dos cristãos o título de Nossa Senhora da Anunciação. Virgem Maria foi contemplada no Mistério da Encarnação como a escolhida para ser a Mãe de Deus. Diante do anúncio do anjo Gabriel, Ela se submete num ato de fé e de humildade. Aceitando a sua parte na missão salvífica, Maria Santíssima demonstra sua confiança no Senhor Deus fazendo-se Instrumento Divino nos acontecimentos que hão de vir. Pelo seu consentimento, Maria aceitou a dignidade e a honra da Maternidade Divina, mas também, os sofrimentos e os sacrifícios que a ela estavam ligados.
Cabe ressaltar, na Anunciação, duas características da Virgem Maria que foram determinantes para a Encarnação do Verbo e para a Salvação da humanidade: sua fé e sua disponibilidade.
Por causa de sua fé, Maria, mesmo sem saber como acontecerão os fatos a partir daquele instante, aceita fazer a vontade de DEUS, incondicionalmente. Como serva não tem mais direitos, por essa razão, se coloca numa atitude de total disponibilidade ao Seu Senhor.
Maria Santíssima compreendia a grandeza de Deus e o nosso “nada”. Devido à sua humildade, assustou-se ao ouvir os louvores do Anjo: “Ave, cheia de graça.”
São Tomás de Vilanova (1488-1555) exclama: “Ó poderosa, ó eficaz, ó augustíssima palavra! Com um “Fiat” (faça-se) Deus criou a luz, o céu, a terra, mas com este “Fiat” de Maria um Deus se tornou homem como nós”.
Pela ação do Espírito Santo, formou-se, no seio da Virgem Imaculada, o corpo do Filho de DEUS. Essa foi a maior de todas as maravilhas: na Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo (verdadeiro Deus e verdadeiro Homem), se unem as naturezas divina e humana.
De acordo com o Catecismo da Igreja Católica:
484. A Anunciação a Maria inaugura a «plenitude dos tempos» (Gl 4, 4), isto é, o cumprimento das promessas e dos preparativos. Maria é convidada a conceber Aquele em quem habitará «corporalmente toda a plenitude da Divindade» (Cl 2, 9). A resposta divina ao seu «como será isto, se Eu não conheço homem?» (Lc 1, 34) é dada pelo poder do Espírito: «O Espírito Santo virá sobre ti» (Lc 1, 35).
508. Na descendência de Eva, Deus escolheu a Virgem Maria para ser a Mãe do seu Filho. «Cheia de graça», ela é «o mais excelso fruto da Redenção» (182). Desde o primeiro instante da sua conceição, ela foi totalmente preservada imune da mancha do pecado original, e permaneceu pura de todo o pecado pessoal ao longo da vida.
509. Maria é verdadeiramente «Mãe de Deus», pois é a Mãe do Filho eterno de Deus feito homem que, Ele próprio, é Deus.
De acordo com os Santos:
São João Paulo II: “No momento da Anunciação, respondendo com o seu «fiat», Maria concebeu um homem que era Filho de Deus, consubstancial ao Pai. Portanto, é verdadeiramente a Mãe de Deus, uma vez que a maternidade diz respeito à pessoa inteira, e não apenas ao corpo, nem tampouco apenas à ‘natureza’ humana. Deste modo o nome ‘Theotókos’ — Mãe de Deus — tornou-se o nome próprio da união com Deus, concedido à Virgem Maria.”
Santo Agostinho: “Maria é Mãe de Deus, feita pela mão de Deus”.
São Jerônimo: “Maria é verdadeiramente Mãe de Deus”.
São Tiago: “Maria é Santíssima, a Imaculada, a gloriosíssima Mãe de Deus.”

A Virgem Maria, a mais humilde e gloriosa de todas as criaturas de Deus, por meio do seu “sim” tornou-se Co-Redentora da humanidade.
Por meio da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, no sei da Virgem Maria, a proclamamos Mãe de Deus. Então, afirmamos que o Reino de Deus já está no meio de nós, pois o dogma da maternidade divina assevera que o próprio Deus, na pessoa de Jesus Cristo, entrou na história humana.
Peçamos a Nossa Senhora, Mãe de DEUS e nossa Mãe, a graça da fé e da disponibilidade para as coisas de DEUS.
 Rita de Sá Freire
Associada da Academia Maria de Aparecida
Fontes Consultadas:
Biblia Católica Ave Maria – Edição PastoralCarta encíclica Redemptoris Mater – do Sumo Pontífice João Paulo II sobre a bem-aventurada Virgem Maria na vida da igreja que está a caminhoConstituição Dogmática Lumen Gentium, 66 – IV. O CULTO DA BEM AVENTURADA VIRGEM NA IGREJA.Compêndio CatecismoGlórias de Maria Santíssima – Santo Afonso Maria de Ligório

quinta-feira, 19 de março de 2020

SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ | 19 DE MARÇO


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Solenidade] As principais celebrações da Igreja recebem o nome de solenidade. Como o próprio nome indica, a solenidade é "a festa das festas".

Nem sempre foi nesta data

A devoção a São José, esposo de Maria, pode ser encontrada já no início da Igreja. Havia uma festa dedicada a ele no Egito do século IV. A data em que os fiéis costumavam homenagear o santo era, a princípio, 20 de julho.
No entanto, uma comemoração a São José foi logo acrescentada ao calendário bizantino em 26 de dezembro. Muitas Igrejas Orientais continuam com esta celebração nesta data. Segundo a Igreja Ortodoxa, “São José é comemorado no domingo depois da natividade. Se não houver domingo entre 25 de dezembro e 1.º de janeiro, sua festa será transferida para o dia 26 de dezembro.”
Esta celebração de José o coloca próximo da festa do nascimento de Cristo, 25 de dezembro, evento no qual ele estava presente, segundo os relatos dos Evangelhos. 
Na Igreja Ocidental, a festa de São José não foi fixada até o século XV. De acordo com algumas tradições, 19 de março foi o dia da morte de José, embora haja poucas evidências para sustentar esta data. 
A Bíblia é totalmente silenciosa sobre a morte do pai adotivo de Jesus e, como resultado, a Igreja baseia-se em tradições orais transmitidas ao longo dos séculos.
Em 1621, o papa Gregório XV estendeu a festa de São José a toda a Igreja. Já em 1870, o Papa Pio IX declarou José o “Patrono da Igreja Universal”. Por muitas décadas, 19 de março foi um dia de preceito para a Igreja, ou seja, era mandatório ir à Missa neste dia. 
A celebração de São José em março o coloca próximo a outro episódio bíblico, em que ele é mencionado diretamente. No dia 25 de março, a Igreja comemora a Anunciação do Senhor, quando o anjo Gabriel visitou a Santíssima Virgem Maria. Como o Evangelho de Mateus narra, “Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo.José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente” (Mateus 1, 18-19).
Em todo caso, o foco principal da festa em 19 de março é revelado no título litúrgico “José, Marido da Bem-Aventurada Virgem Maria”. Esta solenidade – com a mais alta posição litúrgica atribuída aos santos – honra seu compromisso com Maria e sua dedicação como um marido fiel e devoto.
O Dia de São José é uma bela festa, amada e querida pelos católicos de todo o mundo.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

QUARTA-FEIRA DE CINZAS | 26 DE FEVEREIRO


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Jejum] Jejum espiritual.
“Quarta-Feira de Cinzas”

A celebração mais importante da Igreja é a Páscoa. Nela celebramos os mistérios centrais da vida de Cristo. Dizemos centrais, pois a Páscoa penetra toda a atividade do cristão, tanto celebrativa como da vivência. Páscoa não é só uma festa, mas uma vida que acontece. As celebrações são Memória dos acontecimentos de Sua Paixão e Ressurreição.
Para bem viver este momento temos o tempo da Quaresma. Esta palavra significa 40 dias. Há muitas tradições a respeito. Cada tempo celebrou de um modo. Atualmente passa meio esquecida. Mas podemos fazer uma comparação com algo que está muito comum: é como um treinamento esportivo tanto para saúde como para a disputa de jogos.
É como fazer uma terapia de fortalecimento espiritual. O treinador é o próprio Jesus que nos dá as técnicas de Sua academia. Recebemos uma dieta própria para o organismo espiritual. Esta dieta é o jejum. Antigamente era muito exigente. Não é parar de comer ou passar fome. É esvaziar-se das preocupações e dedicar-se ao único necessário. É preciso ser centrado. Tudo é bom, mas nem tudo aproveita naquele momento. É preciso selecionar.
A terapia e o treinamento vão fundo no coração para colocar os pensamentos em ordem através da oração. É uma terapia completa que atinge todos os pontos frágeis de nosso espiritual. Como de nosso corpo que cria massas, tiramos os excessos de nosso interior. A esmola, ou a preocupação com os outros dá-nos um corpo espiritual bem formado que ajuda nosso corpo físico. À medida que nos preocuparmos com outros, tiramos nossos excessos. Que adianta ter corpo sadio e bonito, se o interior, que o sustenta, não estive curado, sarado.
A Quaresma não é somente um trabalho individual, mas de todo o corpo eclesial. Ela é vivida na comunidade como um todo. É toda a comunidade que se converte. Não há individualismo espiritual. Há sim o empenho de cada um para se unir ao Corpo de Cristo e trabalhar para sua purificação naquilo que é humano, isto é, nossa parte. A Igreja toda deve ser penitente.
A penitência não são sacrifícios impostos para fazer sofrer, mas atitudes de sair de si e pensar nos outros. Vivemos mais para as estruturas que para a vida do Senhor que habita nela. Por isso Paulo insiste que Jesus quer tornar sua Igreja pura digna como esposa.
A purificação se faz pela caridade que cobre a multidão dos pecados. Essa caridade não são alguns gestos ocasionais, mas uma atitude permanente de acolhimento e, mais ainda, como nos ensina Papa Francisco, ir busca dos necessitados da graça e do pão. A maior política que se poderia fazer pelo mundo seria colocar a caridade em ato. Precisamos de ações concretas para dar vida a rostos sofridos e que tem em nós a última esperança.
Toda forma de alegria é boa, desde que seja alegria, pois é impossível ser alegre sem o bem, a justiça e o amor. A penitência e o esforço quaresmal em preparação para a Páscoa terão como resultado a alegria da Ressurreição. “Os discípulos ficaram alegres por verem o Senhor”.
As mulheres que viram o Senhor voltaram cheias de alegria para comunicar aos discípulos (Mt 28,8). Jesus dissera: "Vós agora estais tristes; mas eu voltarei a vos visitar, e vos enchereis de alegria, e ninguém tirará vossa alegria” (Jo 16,22). É a alegria da participação da vida do Ressuscitado. Preparando-nos para a Páscoa ela dará seus frutos em nossa vida e na vida do mundo, pois a Ressurreição do Senhor é um ato de Deus para todo Universo.