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sábado, 15 de agosto de 2020

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA | 15 DE AGOSTO


 

Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Solenidade] As principais celebrações da Igreja recebem o nome de solenidade. Como o próprio nome indica, a solenidade é "a festa das festas".

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo

Lucas (Lc 1, 39-56)


Em 1950, o Papa Pio XII, por meio da constituição apostólica Munificentissimus Deus, definiu “ser dogma divinamente revelado que a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial” [1]. Ou seja, Deus, em sua bondade, dispôs que o corpo de Maria, que carregou em seu ventre o próprio Verbo humanado, fosse poupado da corrupção do túmulo. Por mais que se usem argumentos para explicar logicamente esse mistério, a Assunção de Maria é um ato gratuito e livre de amor do Todo-Poderoso, que quis elevar a bem-aventurada Virgem Maria primeiro à glória do Céu.
O argumento mais convincente para a elevação de Nossa Senhora é o da ausência. Não existe nenhum lugar onde se possa dizer que o seu corpo esteja enterrado. Como é possível que os primeiros cristãos, que conservavam os sepulcros dos grandes santos e padres da Igreja primitiva, não tenham guardado o túmulo da mãe de Cristo? De fato, existe um túmulo no Getsêmani, mas ele frequentemente é referido como um “túmulo vazio”, pois os fiéis católicos, desde o começo, creem que Maria está ressuscitada na glória dos céus.
É interessante que, no mosaico da abside da Basílica de Santa Maria em Trastevere, em Roma, Nossa Senhora não só está à direita de Nosso Senhor – como indicam as palavras do salmista: “À vossa direita se encontra a rainha com veste esplendente de ouro de Ofir” [2] –, mas os dois se encontram sentados no mesmo trono. Jesus tem seu braço direito envolvendo Sua mãe e ela, que tem em uma mão um manuscrito do Cântico dos Cânticos, mantém os seus dedos apontados para Jesus – a Rainha que aponta para o Rei. É uma imagem do que acontece nas bodas de Caná, quando ela diz: “Fazei tudo o que ele vos disser” [3], e do que rezamos na Salve Rainha: Et Iesum, benedictum fructum ventris tui, nobis post hoc exsilium ostende. Depois deste desterro, ela realmente nos mostra Jesus.
Essa figura de Jesus e Maria sentados no mesmo trono está profundamente enraizada na teologia bíblica. No livro Queen Mother: A Biblical Theology of Mary’s Queenship [“Rainha Mãe: Uma Teologia Bíblica da Realeza de Maria”][4], Edward Sri explica como, no reino de Judá, o rei sempre reinava juntamente com sua mãe. Assim, por exemplo, Salomão, ao ser entronizado como rei, colocou sua mãe, Betsabéia, à sua direita: “Betsabéia foi até o rei Salomão para falar a respeito de Adonias. O rei levantou-se e veio a seu encontro, prostrou-se diante dela e, depois, sentou-se no trono. Puseram também um trono para a mãe do rei, a qual sentou-se à sua direita” [5]. Essa cerimônia do Antigo Testamento nada mais é que prefiguração do reinado de Cristo e de Sua mãe, Maria Santíssima, para quem também foi colocado um trono no Céu. Apenas São Gabriel Arcanjo diz a Maria que “o Senhor Deus lhe dará [a Jesus] o trono de Davi, seu pai” [6], ela tomou consciência de que seria rainha.
Santo Afonso Maria de Ligório ensina, citando São Pedro Damião, que o mistério da subida de Maria aos céus foi mais solene do que a ascensão de Jesus, “porque só os anjos saíram ao encontro de Jesus Cristo, mas Nossa Senhora foi assunta ao céu na presença do Senhor da glória e de toda a sociedade bem-aventurada dos anjos e dos santos” [7]. A Igreja recorda a realeza de Maria na Liturgia, quando lê a passagem do Apocalipse de São João que fala de “uma Mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas (...). E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro” [8].
Quando celebramos o mistério da Assunção, não estamos simplesmente lembrando a elevação de Nossa Senhora, como também o mistério de Sua presença. Em uma introdução à encíclica Redemptoris Mater, de São João Paulo II, o cardeal Joseph Ratzinger, comentando o método usado pelo Papa para escrever esse documento, diz que ele nos apresenta uma “mariologia histórico-dinâmica”. Ou seja, ao invés de seguir a esteira da mariologia do século XIX e início do XX, a encíclica prefere apresentar os mistérios, não como realidades estáticas, mas como um dom que nos alcança:
“Maria não habita apenas no passado ou em altas esferas do céu sob a imediata ação divina; ela permanece presente neste momento histórico real; ela é uma pessoa agindo aqui e agora. Sua vida não é apenas uma realidade que está atrás de nós, ou acima de nós; mas ela vai à nossa frente, como o Papa faz questão de enfatizar” [9].
De fato, fazendo menção do ensinamento do Concílio Vaticano II [10], o Papa recorda que:
“Maria contribui de maneira especial para a união da Igreja peregrina na terra com a realidade escatológica e celeste da comunhão dos santos, tendo já sido ‘elevada ao Céu’. (...) No mistério da Assunção exprime-se a fé da Igreja, segundo a qual Maria está ‘unida por um vínculo estreito e indissolúvel a Cristo’, pois, se já como mãe-virgem estava a Ele unida singularmente na sua primeira vinda, pela sua contínua cooperação com Ele o estará também na expectativa da segunda: ‘Remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho’, ela tem também aquele papel, próprio da Mãe, de medianeira de clemência, na vinda definitiva, quando todos os que são de Cristo forem vivificados e quando ‘o último inimigo a ser destruído será a morte’ (1 Cor 15, 26).” [11]
É como “medianeira de clemência” que os cristãos invocam a Virgem Santíssima na oração da Salve Rainha: depois de manifestar a nossa condição de pecadores e “degredados filhos de Eva” “neste vale de lágrimas”, o texto pede à toda santa Mãe de Deus – eis a única graça que nos importa pedir – que nos mostre Jesus.
Essa bela prece, escrita pelo bem-aventurado Hermano Contractus, monge na abadia de Reichenau, no século XI, foi popularizada quando Pedro, o Venerável, abade de Cluny, ordenou que ela fosse cantada nas festas da Assunção. Rezemo-la com fervor, proclamando a realeza de Maria no Céu e a sua presença como mãe e medianeira em nossas vidas.
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Referências
Sl 44, 10
Jo 2, 5
1 Rs 2, 19. Cf. também, sobre esse assunto,RC 187: Por que nós chamamos a Virgem Maria de Rainha e de Senhora?
Lc 1, 32
Glórias de Maria, p. II, I, 8, 1
Ap 12, 1.5
Joseph Ratzinger, The Sign of the Woman, 21
Cf. Lumen Gentium, 53

domingo, 9 de agosto de 2020

SANTA TERESA BENEDITA DA CRUZ | 9 DE AGOSTO


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Memorial] Dia memorial para comemorar um santo ou santos.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 16, 24-28)
Naquele tempo, Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro mas perder a sua vida? Que poderá alguém dar em troca de sua vida? Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta. Em verdade vos digo: Alguns daqueles que estão aqui não morrerão antes de verem o Filho do Homem vindo com o seu Reino”.
Hoje, celebramos a memória de S. Teresa Benedita da Cruz, mais conhecida por seu nome civil, Edith Stein. Trata-se de uma filósofa alemã, judia de origem, nascida na última década do séc. XIX, que se converteu em 1921 depois de ler, fascinada, o Livro da Vida, de S. Teresa d’Ávila. Edith, que tanto buscara a verdade nos raciocínios filosóficos e nas escolas de pensamento, depois de muito tempo afastada da prática religiosa e vivendo num ateísmo prático, enfim encontrou o que tanto procurava ao concluir a biografia da santa carmelita. “Aqui está a verdade!”, exclamou, aliviada, após vários anos à busca dessa luz que nos liberta do erro e das incertezas. Edith recebeu o Batismo meses depois, em 1922, e, uma vez católica, viu-se chamada ao Carmelo cuja reformadora a chamara à verdadeira fé. Recebeu o hábito em Colônia, no ano de 1934; devido, porém, às perseguições nazistas, teve de ser transferida às pressas para o convento holandês de Ecth, onde foi capturada pelos hitleristas em agosto de 1942, sendo enviada de lá para Westerbork, um campo de concentração no norte da Holanda. De lá a mandaram, em agosto do mesmo ano, para Auschwitz, onde recebeu finalmente a coroa do martírio. O último livro por ela escrito, A Ciência da Cruz, desvela-nos a sabedoria que se esconde atrás dos sacrifícios a que os santos se entregam por amor àquele que por eles se entregou como vítima inocente, em holocausto agradável ao Pai. — Recorramos hoje à intercessão de S. Teresa Benedita e peçamos-lhe que nos alcance de Cristo, Nosso Senhor, a graça de aprendermos a carregar nossas cruzes e a saborear com paciência todo sofrimento, por amor e gratidão a Ele.
FONTE: PADRE PAULO RICARDO 

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

FESTA DA TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR | 06 DE AGOSTO


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Festa] Uma celebração religiosa anual.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 9, 2-10)
Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e os levou sozinhos a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles.

Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar. Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus.

Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo.

Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles.

Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. Eles observaram esta ordem, mas comentavam entre si, o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”.

Na festa da Transfiguração do Senhor celebramos, com esperança e alegria antecipada, aquilo que estamos chamados a ser depois da ressurreição. Unidos novamente a nossos corpos, glorificados e espiritualizados, seremos no céu humanidade divinizada, participantes da natureza divina (cf. 2Pd 1, 4) não só pela graça, mas pela glória, da qual ela é já nesta vida semente e princípio. No Evangelho deste dia, testemunho que Marcos colheu diretamente de Pedro, como nos indica também a primeira leitura da Liturgia de hoje (cf. 2Pd 1, 16-19), vemos o Senhor subir, em companhia de seus três discípulos mais íntimos, um monte que a tradição identifica com o Tabor. Lá, deixando transparecer o esplendor de sua divindade, Cristo transfigurado faz Pedro, Tiago e João experimentarem um misto inexprimível de sensações: medo, estupor, perplexidade e, mais do que tudo, profunda alegria: “Senhor, é bom estarmos aqui” (Mt 17, 4), diz com costumada ousadia o príncipe dos Apóstolos. O rosto luminoso de Cristo nos indica hoje a transformação que Ele quer operar em nós: sem nos fazer perder nossa humanidade, Ele quer comunicar-nos, pela participação de sua graça, sua própria condição divina, para que sejamos como deuses (cf. Jo 10, 34; Sl 81, 6). Essa transformação, que se cumprirá plenamente no céu, tem início já neste mundo quando, pelo Batismo, somos sepultados com Cristo (cf. Rm 6, 4) e com Ele ressurgimos para uma condição nova, feitos agora filhos adotivos do Pai. É nos santos, de modo particular, que vemos essa transfiguração de que o Senhor nos quer fazer partícipes: neles, o Espírito Santo age de tal modo através de seus dons que os atos heróicos de amor, fortaleza e entrega que a história lhes atribui já não são apenas humanos, mas radicalmente divinos. Que também nós, sendo fiéis à graça e em tudo procurando ser santos para maior glória de Deus, possamos um dia ver realizada em nossos corpos e almas a transfiguração que hoje contemplamos no rosto adorável de Cristo.
FONTE: PADRE PAULO RICARDO

domingo, 26 de julho de 2020

SÃO JOAQUIM E SANT'ANA | 26 DE JULHO


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Memorial] Dia memorial para comemorar um santo ou santos.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 13, 16-17)
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: "Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram".

É com grande júbilo que a Igreja convida hoje os seus filhos a celebrar a gratíssima memória de São Joaquim e Sant'Ana, pais da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus e Nossa Senhora. Dos evangelhos que nos narram a infância de Cristo — Mateus e Lucas —, nada se pode deduzir a respeito dos avós do Senhor; é com base em um escrito não canônico de meados do século II d.C., o chamado Proto-evangelho de Tiago, que os primeiros cristãos passaram a conhecer o nome e a sorte destes santos esposos. Outras obras apócrifas, como o Evangelho do Pseudo-Mateus (c. 400 d.C.), que exerceu grande influência durante a Idade Média, também serviram para suprir o silêncio da literatura canônica e satisfazer a piedosa curiosidade dos fiéis. Estes antigos relatos, embora resvalem vez por outra para o exagerado e fabuloso — no que muito destoam dos evangelhos autênticos, sempre sóbrios e comedidos —, apresentam contudo informações de grande valor sobre a fé dos nossos primeiros irmãos em Cristo Jesus; dentre elas, os nomes de Joaquim e Ana já foram há muito incorporados ao patrimônio e à tradição da Igreja Católica.
Por estes testemunhos e pelo que nos dizem os Santos Padres, sabemos que um rico e caridoso pastor chamado Joaquim, herdeiro da casa de Davi, morava em Jerusalém com a esposa, Ana, pertencente à estirpe de Aarão. Como passassem os anos e o estéril casal, vivendo admiravelmente a castidade esponsal, não tivesse nenhum filho, Joaquim, então de idade bastante avançada, foi repreendido no Templo por um sacerdote de nome Rubem, porquanto o Senhor não os abençoara com uma descendência em Israel. Envergonhado diante do povo, ele decidiu retirar-se a uma terra distante, de modo que a mulher, já muito abatida por sua infertilidade, ficou por longo tempo sem notícias suas. No entanto, após muito rezarem, apareceu-lhes um anjo a anunciar o nascimento de um filho, que Ana prometera em suas preces consagrar a Deus. Por isso, o casal, obediente aos desígnios divinos e com renovada esperança, reatou a sua união, da qual veio a nascer Maria Santíssima, apresentada ainda menina no Templo de Jerusalém para ali ser educada no serviço ao Senhor.
Preparando, assim, o espírito de Sant'Ana para receber no santuário do seu seio a verdadeira Arca da Aliança, que conceberia virginalmente o Pão vivo descido do céu, o Deus de misericórdias fez dos justos avós de sua Mãe Imaculada testemunho especialíssimo de confiança e de abandono, de fé e de esperança, de virtude e de desprendimento. Recebendo, pois, do Rei dos Reis a Rainha do Céu e da terra, São Joaquim e Sant'Ana souberem devolver ao Senhor o dom precioso com que foram agraciados, de sorte que, consagrando a Deus a filha que Ele mesmo escolhera para ser sua Mãe, esse santo casal deu-nos a Porta por que viria ao mundo o nosso Redentor. Recorramos hoje à intercessão destes dulcíssimos esposos e peçamos-lhes a proteção materna de sua Filha ditosa e toda santa, para que ela, por seu auxílio e poder, nos apresente, entregue e consagre ao seu bem-amado Filho. — Ó São Joaquim e Sant'Ana, guardai as nossas famílias, protegei-nos dos males presentes e preparai-nos para o encontro definitivo com o Pai!

FONTE: PADRE PAULO RICARDO 


sábado, 25 de julho de 2020

SÃO TIAGO APÓSTOLO | 25 DE JULHO


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Solenidade] As principais celebrações da Igreja recebem o nome de solenidade. Como o próprio nome indica, a solenidade é "a festa das festas".
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 20, 20-28)
Naquele tempo, a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. Jesus perguntou: "O que tu queres?" Ela respondeu: "Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda".

Jesus, então, respondeu-lhes: "Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?" Eles responderam: "Podemos". Então Jesus lhes disse: "De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é que dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou".

Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. Jesus, porém, chamou-os e disse: "Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos".

Hoje, a Igreja celebra a festa de São Tiago Maior, Apóstolo de Nosso Senhor e irmão de São João, Evangelista. Martirizado em 44 d.C. na cidade de Jerusalém (cf. At 12, 1s) após, segundo a tradição, tentar cristianizar os pagãos da Hispânia, Tiago é apresentado no Evangelho como um dos três discípulos prediletos de Jesus; ao lado do irmão e de Pedro, ele foi, de fato, objeto de uma especial atenção por parte de Cristo. Além de outros tantos privilégios, esse impetuoso Apóstolo, chamado pelo Senhor de "filho do trovão" (cf. Mc 3, 17), teve a graça de contemplar no cume do monte Tabor a glória da Transfiguração. Mas é ao meditarmos a sua índole e o seu papel junto dos outros dois discípulos privilegiados que podemos compreender a sua importância para a nossa própria vida espiritual. Nessa pequena "trindade" de Apóstolos, com efeito, vemos representados os três grandes caminhos que conduzem à santidade. Em Pedro, por um lado, temos o amor fervente que Deus quer de nós; em João, por outro, o conhecimento contemplativo das coisas divinas; em Tiago, por fim, o serviço humilde na vida ordinária de cada fiel.
Longe de se excluírem mutuamente, essas três vias têm de ser percorridas por todo e qualquer cristão, pois todos fomos criados para cumprir essas três finalidades: amar, conhecer e servir a Deus. Amar com uma vontade firme e resoluta; conhecer com uma inteligência reta e sedenta de verdade; servir com tudo o que temos possuímos, com a nossa memória, com os nossos afetos, com todas as nossas potências. Roguemos hoje a São Tiago Maior que nos alcance do Mestre a quem tanto serviu a graça de sermos mais fiéis no cumprimento constante e humilde dos nossos deveres de estado, nos quais e pelos quais Deus, que governa as nações e os corações, quer encontrar-se conosco. Peçamos também a Maria Santíssima, Virgo fidelis, que afaste de nós toda sede de poder e autoridade, pois, como diz Nosso Senhor, quem "quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo".

 FONTE: PADRE PAULO RICARDO 

quarta-feira, 22 de julho de 2020

SANTA MARIA MADALENA | 22 DE JULHO


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Memorial] Dia memorial para comemorar um santo ou santos.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 20, 1-2.11-18)
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Então saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”. Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. Viu, então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.

Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. Tendo dito isto, Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus. Jesus perguntou-lhe: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que o levaste dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar”.


Então Jesus disse: “Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabuni” (que quer dizer: Mestre). Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto de meu Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito.
A figura de S. Maria Madalena, cuja festa temos hoje a alegria de celebrar, costuma ser identificada na tradição ocidental com aquela Maria que os evangelistas dizem ser irmã de Marta e Lázaro de Betânia, amigos do Senhor (cf. Jo 12, 1-11). Tratar-se-ia também de uma pecadora pública (cf. Lc 7, 36-50) que, após haver testemunhado as vísceras de misericórdia com que o Filho de Deus encarnado acolhe todos os arrependidos, converteu-se à fé e tornou-se uma profunda contemplativa, tal como no-la retrata o Apóstolo S. Lucas (cf. Lc 10, 38-42). Seja como for, o Evangelho segundo S. João faz questão de a colocar ao pé do sepulcro de Cristo, como imagem significativa de uma alma que, tendo fornicado com o pecado e se prostituído aos demônios, é agora uma esposa, limpa e pura, para quem não há consolação longe do seu amado: “Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando”, e nem mesmo os anjos que o guardavam, revestidos de esplendor (cf. Lc 24, 4), puderam suster-lhe os soluços e aquietar-lhe o coração.
Maria Madalena também é retratada, nos episódios após a Ressurreição, como a primeira dos apóstolos, não no sentido de haver recebido a ordenação sacerdotal nem, muito menos, por ser coluna da Igreja como o são, em sentido próprio e específico, os doze Apóstolos escolhidos a dedo por Nosso Senhor: antes, Maria foi anjo e apóstolo por ter sido a primeira a anunciar a Ressurreição de Cristo; ela foi, portanto, a primeira a fazer aquilo que todos, padres ou não, estamos chamados a fazer: testemunhar ao mundo, por força da nossa vocação batismal, com palavras e obras, que Cristo ressuscitou verdadeiramente, que está vivo e operante, atingindo do nascente ao poente com sua graça, convertendo os corações e os reconduzindo, pelo ministério da Igreja, ao caminho da santidade e da salvação. Que, a exemplo de S. Maria Madalena, abracemos nossa condição de apóstolos, isto é, de enviados para anunciar ao mundo todo a Boa-nova: Cristo vive, e é somente por Ele que temos acesso ao Pai e um caminho seguro à vida eterna.
FONTE: PADRE PAULO RICARDO 

sexta-feira, 17 de julho de 2020

MARTÍRIO DAS CARMELITAS | VIDA CARMELITA EREMITA


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa.
Tudo bem com vocês?

No dia 17 de julho de 1794, segundo período do Terror da Revolução Francesa; 16 irmãs carmelitas de Compiègne, são levadas para guilhotina acusadas de serem “subversivas” e inimigas da Revolução.

As irmãs faziam parte da Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo pertencentes a REFORMA iniciada por Santa Madre Teresa de Jesus, sendo assim Carmelitas Descalças. 

Diante da catástrofe eminente as irmãs foram ameaçadas dentro do Claustro e a Capela, portanto profanados, pelas tropas do governo que lutavam por emancipação política – a Revolução Francesa – por não aceitarem a ordem estabelecida pelo então governo da época, por meio do Comissionario, foram tidas como rebelde e mantidas sob custódia do então governo.


Na noite anterior nas mãos do então Capelão do Convento fizeram voto de martírio, sendo uma celebração clandestina pois estavam proibidas de expressarem sua RELIGIÃO. Portanto prometendo não se opor a condenação e de não fazer caso por tal. Sendo assim dezesseis (16) monjas foram martirizadas em praça pública sob punição de decapitação, permanecendo apenas Madre Maria para perpetuar a Ordem e dar continuidade na esperança de tempo melhores.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA DO CARMO | 16 DE JULHO


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Solenidade] As principais celebrações da Igreja recebem o nome de solenidade. Como o próprio nome indica, a solenidade é "a festa das festas".

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 12, 46-50)
Naquele tempo, enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.
1. A festa de Nossa Senhora do Carmo foi instituída com o fim de honrar a Bem-aventurada Virgem Maria pelos grandes benefícios que, por intercessão dela, tem recebido ao longo dos séculos a família carmelita. De acordo com o Pe. Zimmermann (cf. Monumenta Historica Carmelitana. Lirinæ, 1907, vol. 1, pp. 323-363), esta festa teria surgido por volta de 1387, e desde aquela época costuma ser celebrada no dia 16 de julho. Somente mais tarde passou a estar vinculada à devoção do santo escapulário. A festa foi aprovada por Sisto V, em 1587. Em 1600, após o voto favorável de S. Roberto Belarmino, foi declarada festa patronal para toda a Ordem carmelita. A sua difusão foi rápida, não obstante algumas proibições pontuais estabelecidas pelo decreto “Contra abusus”, de 1628, e renovado uma década mais tarde. Ainda neste mesmo ano, contudo, a festa começou a celebrar-se na Espanha e em várias regiões da Sicília. Em 1674, ela já se havia estendido por toda a Espanha e às terras a ela sujeitas; no ano seguinte, à Áustria; e, em 1679, ao reino de Portugal e seus domínios. Em 1726, ela começou a ser celebrada também nos Estados pontifícios. O Papa Bento XIII, por meio do Breve de 24 set. 1726, finalmente estendeu a celebração a toda a Igreja, inserindo porém nas leituras do segundo noturno a seguinte reserva: “Pie creditur”. O Papa Leão XIII, por meio do Breve de 16 mai. 1892, anexou-lhe o privilégio da indulgência plenária toties quoties à semelhança do privilégio da Porciúncula [1].
2. A origem da Ordem carmelita remonta, de certa forma, ao profeta Elias, que, segundo a tradição, teria levado uma vida eremítica de oração e penitência no Monte Carmelo, localizado na costa norte de Israel. Inspirados no exemplo de Elias, e movidos de amor a Jesus Cristo, alguns monges cristãos, muitos séculos depois, decidiram reunir-se no mesmo monte para viver o silêncio e a contemplação. Afastados do mundo, esses primeiros eremitas do Carmo viveram um dos grandes mistérios da nossa fé e que está, de algum modo, contido no próprio nome “carmelo”, que significa “jardim”: o justo, isto é, o homem que está em estado de graça, transforma-se, pela ação divina, no jardim das delícias de Deus, segundo aquilo do provérbio: “Brincando sobre o globo de sua terra, achando as minhas delícias junto aos filhos dos homens” (Pr 8, 31). Sabemos, com efeito, que Deus, ao justificar o ímpio, infunde-lhe a graça santificante e, com ela, todo um cortejo de virtudes sobrenaturais, das quais a caridade é a mais importante e excelente. Desta forma, o justo é transformado em amigo de Deus, e como é próprio dos amigos o estarem juntos e compartilharem o que têm de mais íntimo, a graça santificante estabelece entre Deus e o homem uma verdadeira relação de presença e carinho, de convívio e confidência: “As minhas delícias junto aos filhos dos homens”. Se temos, pois, a alegria de estar em graça, saibamos ver com os olhos da fé que a nossa alma é um jardim ameno e aprazível, em que Deus gosta de passear, “à hora da brisa da tarde” (Gn 3, 8), para respirar suavemente nossos atos de fé e de amor mais sinceros.
3. Que, por intercessão de Nossa Senhora do Carmo, saibamos manter sempre limpo este jardim que o Senhor quis plantar em nós para ter nele o seu descanso, e aprendamos da mesma Virgem a colocar as nossas delícias apenas naquele que tem em nós a suas: “As minhas delícias junto aos filhos dos homens”.
Referências
1.    Tradução de Gabriel M.ª Roschini, Mariologia. Romæ: Angelus Belardetti, 1958, vol. 4 (= t. 2, 3.ª parte), pp. 144-145.


sábado, 11 de julho de 2020

SÃO BENTO | 11 DE JULHO


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Memorial] Dia memorial para comemorar um santo ou santos.
Pelo final do século V, o Império Romano estava em ruínas. Enfraquecida desde dentro pela corrupção, pela opulência, pela luxúria e pelo comodismo, a cidade de Roma foi, durante boa parte do século, violentamente invadida por povos estrangeiros.
O Império foi à bancarrota, tanto moral quanto financeiramente, e, por volta do ano 500, Bento — um jovem nobre da cidade de Núrsia — decidiu que a melhor coisa que poderia fazer era subir para as montanhas e tornar-se eremita. Primeiro, ele foi a Subiaco e viveu em uma caverna, onde foi orientado por um monge mais velho. Finalmente, mudou-se para o sul, em Monte Cassino, onde estabeleceu pequenas comunidades de homens e mulheres que pudessem seguir uma vida simples e digna de trabalho, estudo e oração.
G. K. Chesterton diz que cada século é salvo pelo santo que lhe é mais contrário. A simplicidade monástica de São Bento era justamente a resposta de que a corrupção e a opulência do decadente Império Romano precisavam. Ele respondeu à luxúria com a pureza, à avareza com a simplicidade, à ignorância com a sabedoria, à decadência com a indústria e ao cinismo com a fé. Suas comunidades nas montanhas se tornaram faróis em uma época de trevas e um refúgio para as tempestades que estavam prestes a cair.
Vale a pena lembrar o exemplo de Bento hoje, quando muitos vêem aproximar-se as mesmas tempestades do que parece ser a derrocada da civilização ocidental. Quando consideramos o fim que levou a Roma pagã, os paralelos são sensivelmente similares.
São Bento subiu para as montanhas porque percebeu que com os romanos não havia diálogo. Não havia argumento possível porque os seus corações e mentes estavam obscurecidos.
Também a nossa cultura está enfraquecida desde dentro por incríveis opulência, luxúria e sensualidade. Como os antigos romanos, a nossa sociedade mata os seus filhos que ainda não nasceram em um nível alarmante e também investe grandes montantes em máquinas militares para dominar o mundo. Nossos ricos "patrícios" reinam de seus templos de poder sem nenhuma preocupação com o povo, enquanto os "plebeus" comuns rangem os dentes com descontentamento cada vez maior. Também nós nos sentimos ameaçados por bárbaros desconhecidos que vêm do outro lado do mundo e também nós nos preocupamos em defender-nos das hordas que cruzam as nossas fronteiras.
Por que Bento escolheu simplesmente retirar-se? Acredito que ele o fez porque percebeu que a civilização romana não tinha salvação, ela já tinha chegado ao fim de sua vida útil. O primeiro capítulo da Epístola de São Paulo aos Romanos explica como Deus entrega as pessoas aos seus desejos pecaminosos e, por isso, as suas mentes ficam obscurecidas. Elas se tornam viciadas e cegas pelo pecado e são incapazes de pensar retamente. Bento subiu para as montanhas porque percebeu que com os romanos não havia diálogo. Não havia argumento possível porque os seus corações e mentes estavam obscurecidos. Eles tinham perdido a capacidade de raciocinar e a habilidade de escutar e amar a verdade.
Essa é cada vez mais a situação do mundo de hoje. Já há muito tempo que a nossa civilização virou as costas para a verdade, para a beleza e a para a bondade da fé cristã; que temos nos sujeitado ao comodismo, entregando-nos a grandes pecados de luxúria, crueldade e assassinato. Como sociedade, nós destruímos o matrimônio, abusamos de nossas crianças, matamo-nos uns aos outros, travamos guerras e roubamos dos mais pobres. Nossos corações e mentes estão agora obscurecidos. Atingidos pelo câncer intelectual do relativismo, não somos capazes nem de ouvir a razão nem de produzir argumentos. Fomos abandonados ao turbilhão de nossas emoções, agitados pela raiva, pelo ódio irracional e pela frustração demoníaca.
O que podemos fazer? Como católicos, nós viveremos cada vez mais a "opção beneditina". Há quem pense que terminaremos nos escondendo em nossos próprios enclaves, como sobreviventes de um holocausto nuclear, mais ou menos como uma volta às catacumbas. Eu não seria tão pessimista. Acredito que a "opção beneditina" pode ser simplesmente uma percepção de que precisamos retornar à essência da nossa fé e vivê-la em nossas já existentes comunidades paroquiais. Nossas paróquias podem tornar-se refúgios de paz, centros de cultura, educação e razão. Elas podem tornar-se lugares onde a oração, o trabalho e o estudo são valorizados.
Sem formar novas comunidades monásticas, nossas famílias e paróquias podem transformar-se em "mosteiros domésticos", onde nós viveremos com simplicidade e cultivaremos com consciência a nossa fé, refugiando-nos do dilúvio que devasta a nossa sociedade.
Para tanto, nós precisaremos reavaliar a nossa relação com a cultura que nos rodeia. Precisaremos simplificar as nossas vidas. Será que realmente precisamos de todas essas coisas materiais que nos puxam para baixo e nos atolam nas dívidas e no estresse? Será que realmente precisamos correr tão freneticamente, com tanta pressa, o tempo todo? Temos realmente que nos conformar com a sociedade agitada, vaidosa e avarenta em que vivemos? Realmente precisamos de todo esse entretenimento e distração que nos leva à destruição? Acho que não.
Contra tudo isso, a "opção beneditina" colocará o nosso foco nos votos que estão no coração da Regra de São Bento: estabilidade, obediência e conversão de vida. A estabilidade nos ajudará a desenvolver raízes profundas em nossa fé, em nossas famílias e em nossa Igreja. Encontraremos aí a nossa segurança, e não em nosso trabalho, em nosso dinheiro ou em nossas realizações. A obediência significa que procuraremos submeter-nos constantemente às Sagradas Escrituras, aos ensinamentos da Igreja, a Deus e uns aos outros. A conversão de vida significa que tudo o que fizermos e dissermos, e toda decisão que tomarmos, será determinada por nosso desejo de sermos completamente transformados na imagem de Cristo. Ou, como São Bento põe em sua regra, "Christo nihil praeponere — nada antepor a Cristo".
As simples e humildes comunidades beneditinas se tornaram a fundação da maior civilização que o mundo já viu. Por um milênio, a Europa cristã esteve enraízada na singela intuição de São Bento de Núrsia. Se os católicos fizerem essa opção, ainda podemos forjar uma fundação forte e vigorosa para o futuro da nossa sociedade.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

SÃO PEDRO E SÃO PAULO | 29 DE JUNHO


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Solenidade] As principais celebrações da Igreja recebem o nome de solenidade. Como o próprio nome indica, a solenidade é "a festa das festas".

A grande festa de São Pedro e São Paulo foi instituída no século IV antes mesmo da definida data do Natal, e de costume rezam-se três Missas: A primeira na basílica São Pedro no Vaticano, a segunda na basílica de São Paulo e a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde as relíquias dos santos tiveram por um tempo escondidas.São Paulo: Nascido em Tarso da Cicília possuía um nome judeu Saulo e outro romano Paulo, e este que era cidadão romano foi para Jerusalém onde recebeu sólida formação nas Sagradas Escritura e no cumprimento da Lei, ao ponto de tornar-se um fariseu modelo. Antes de perseguidor dos cristão Paulo era um perseguido por Jesus Cristo, por isso foi alcançado pelo Senhor quando caiu do cavalo e começou a encontrar progressivamente sua vocação de: ‘Servo de Deus, apóstolo de Jesus Cristo para levar os eleitos de Deus à fé e ao conhecimento da verdade’ ( Tt 1,1 ). 

São Paulo a partir de Antioquia na Síria foi quem, com Barnabé, realizou três grandes expedições missionárias objetivo de anunciar a Boa Nova para os gentios, além de visitar e firmar suas Comunidades ora pessoalmente, ora com suas cartas pastorais, isto como uma perseverante luta por causa de Jesus e a Igreja; foi ele mesmo quem testemunhou antes de seu martírio por decapitação em 67 em Roma: ‘Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé’ ( 2Tm 4, 7).
São Pedro e Paulo… rogai por nós!

quarta-feira, 24 de junho de 2020

NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA | 24 DE JUNHO


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?

[Solenidade] As principais celebrações da Igreja recebem o nome de solenidade. Como o próprio nome indica, a solenidade é "a festa das festas".

Nesta liturgia celebramos o nascimento de João Batista e louvamos a Deus por sua bondade e misericórdia. João veio ao mundo para anunciar o Salvador, que é Jesus, e preparar os seus caminhos. Preparemos também nosso coração para acolher nesta Eucaristia o amor de Deus, que realiza maravilhas em nossa vida.
Com muita alegria, a Igreja, solenemente, celebra o nascimento de São João Batista. Santo que, juntamente com a Santíssima Virgem Maria, é o único a ter o aniversário natalício recordado pela liturgia.
São João Batista nasceu seis meses antes de Jesus Cristo, seu primo, e foi um anjo quem revelou seu nome ao seu pai, Zacarias, que há muitos anos rezava com sua esposa para terem um filho. Estudiosos mostram que possivelmente depois de idade adequada, João teria participado da vida monástica de uma comunidade rigorista, na qual, à beira do Rio Jordão ou Mar Morto, vivia em profunda penitência e oração.
Pode-se chegar a essa conclusão a partir do texto de Mateus: “João usava um traje de pêlo de camelo, com um cinto de couro à volta dos rins; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre”. O que o tornou tão importante para a história do Cristianismo é que, além de ser o último profeta a anunciar o Messias, foi ele quem preparou o caminho do Senhor com pregações conclamando os fiéis à mudança de vida e ao batismo de penitência (por isso “Batista”).
Como nos ensinam as Sagradas Escrituras: “Eu vos batizo na água, em vista da conversão; mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu: eu não sou digno de tirar-lhe as sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo” (Mateus 3,11).
Os Evangelhos nos revelam a inauguração da missão salvífica de Jesus a partir do batismo recebido pelas mãos do precursor João e da manifestação da Trindade Santa. São João, ao reconhecer e apresentar Jesus como o Cristo, continuou sua missão em sentido descendente, a fim de que somente o Messias aparecesse.
Grande anunciador do Reino e denunciador dos pecados, ele foi preso por não concordar com as atitudes pecaminosas de Herodes, acabando decapitado devido ao ódio de Herodíades, que fora esposa do irmão deste [Herodes], com a qual este vivia pecaminosamente.
O grande santo morreu na santidade e reconhecido pelo próprio Cristo: “Em verdade eu vos digo, dentre os que nasceram de mulher, não surgiu ninguém maior que João , o Batista” (Mateus 11,11).
São João Batista, rogai por nós!

sábado, 20 de junho de 2020

IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA | 20 DE JUNHO


Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Virgem Maria, Senhora Nossa. Tudo bem com vocês?
[Solenidade] As principais celebrações da Igreja recebem o nome de solenidade. Como o próprio nome indica, a solenidade é "a festa das festas".
  • Em Fátima, a Virgem Maria ensinou aos três pastorinhos a devoção ao seu Imaculado Coração
A revelação da devoção reparadora ao Imaculado Coração começou na segunda aparição da Santíssima Virgem Maria, em 13 de junho de 1917, em Fátima, Portugal, aos pastorinhos: Lúcia, Francisco e Jacinta. A Virgem Maria disse à pequena Lúcia, a mais velha dos três pastorinhos: “Ele [Jesus] quer estabelecer no mundo a devoção do meu Imaculado Coração”1. Logo após ouvir essas palavras, os pastorinhos viram Nossa Senhora com um coração na mão, cercado de espinhos. As três crianças compreenderam que aquele era o Coração Imaculado da Santíssima Virgem, ofendido pelos pecados da humanidade, que necessitavam de reparação.
Na aparição seguinte, no dia 13 de julho, Nossa Senhora concedeu às três crianças uma experiência extraordinária! Elas viram, no inferno, os demônios e as almas dos condenados, que gritavam e gemiam de dor e desespero. Depois de dar-lhes essa visão assustadora, disse aos pastorinhos: “Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração”2. No entanto, a Virgem não revelou como deveríamos fazer essa reparação, mas disse que voltaria para pedir essa devoção reparadora.
Sete anos depois, no dia 10 de dezembro de 1925, em Pontevedra, na Espanha, a Santíssima Virgem revelou à então postulante Lúcia a devoção reparadora dos cinco primeiros sábados. Entretanto, somente dois anos mais tarde, em dezembro de 1927, por ordem de seu confessor, Lúcia deu a conhecer as palavras de Nossa Senhora: “Olha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar, e dize que todos aqueles que, durante cinco meses, no primeiro sábado, confessarem-se, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço, e Me fizerem quinze minutos de companhia, meditando nos quinze mistérios do Rosário, com o fim de me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”3.

Origem da devoção ao Imaculado Coração de Maria

A memória litúrgica do Imaculado Coração de Maria é comemorada no sábado seguinte à solenidade do Sagrado Coração de Jesus, celebrada na segunda sexta-feira depois da solenidade de Corpus Christi. No entanto, a devoção ao Imaculado Coração de Maria remonta aos inícios da Igreja, pois tem suas raízes mais profundas nas Sagradas Escrituras. Nelas, encontramos referências ao Imaculado Coração no Evangelho segundo São Lucas, o “pintor” da Santíssima Virgem: “Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração” (Lc 2,19). “Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração” (Lc 2,51).
A semente do Evangelho, plantada pelos apóstolos e discípulos de Jesus Cristo, germinou na doutrina dos Santos Padres e desenvolveu-se com os teólogos e místicos da Idade Média. Nos séculos seguintes, surgiram outros grandes devotos do Imaculado Coração de Maria, bem como do Coração de Jesus, como São Bernardo, Santa Gertrudes, Santa Brígida, São Bernardino de Sena e São João Eudes. Este último foi o maior apóstolo da devoção ao Coração de Maria. Em 1648, o Padre João Eudes obteve do Bispo de Autun, na França, a aprovação da celebração da festa.A Santa Sé mostrou-se favorável ao culto ao Imaculado Coração no início do século XIX. Em 1805, o Papa Pio VII concedeu a autorização para a celebração da festa às dioceses e às congregações religiosas que lhe pediam. No ano de 1855, o Papa Pio IX aprovou a Missa e o Ofício próprios do Imaculado Coração de Maria. Durante a Segunda Guerra Mundial, em 8 de dezembro de 1942, na Solenidade da Imaculada Conceição, o Papa Pio XII consagrou a Igreja e todo o gênero humano ao Coração Imaculado de Maria e, três anos depois, estendeu a festa do Imaculado Coração de Maria para toda a Igreja Católica.
A partir das aparições de Nossa Senhora, em Fátima, a devoção ao Imaculado Coração de Maria ganha ainda mais força, especialmente na devoção particular dos fiéis, como aconteceu com a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. A esse respeito, escreveu o Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Gonçalves Cerejeira: “A missão especial de Fátima é a difusão no mundo do culto ao Imaculado Coração de Maria. À medida que a perspectiva do tempo nos permitir julgar melhor os acontecimentos de que fomos testemunhas, estou certo que melhor se verá que Fátima será, para o culto do Coração de Maria, o que Paray-le-Monial foi para o Coração o de Jesus4″.

A consagração dos sábados e a devoção ao Imaculado Coração de Maria

A consagração dos sábados a Virgem Maria não é nenhuma novidade na Igreja. Todavia, o pedido dessa devoção por Nossa Senhora foi uma magnífica confirmação dos Céus de uma antiga piedade mariana. O sábado, como dia especialmente consagrado a Virgem Maria, é uma tradição que tem sua origem muito provavelmente nos primeiros séculos da Igreja. “A presença da Missa de Nossa Senhora nos Sábados, no missal romano de São Pio V, de 1570, mostra a antiguidade dessa prática, que consiste em honrar especialmente a Santa Mãe de Deus nesse dia da semana”5.
Apoiados nesta bela e piedosa tradição da Igreja, os membros das confrarias do Rosário consagravam especialmente a Santíssima Virgem quinze sábados consecutivos de cada ano litúrgico. Durante esses sábados, “eles se aproximavam dos sacramentos e cumpriam exercícios de piedade particulares em honra dos quinze mistérios do santo rosário. Em 1889, o Papa Leão XIII concedeu a todos os fiéis uma indulgência plenária a ser ganha durante um desses quinze sábados”6. Entretanto, foi com o grande Papa São Pio X que a devoção dos primeiros sábados foi aprovada e encorajada pela Santa Sé que, em 10 de julho de 1905, indulgenciou, pela primeira vez, essa devoção mariana. Em 13 de junho de 1912, São Pio X concedeu “indulgência plenária, aplicável às almas dos defuntos, no primeiro sábado de cada mês, por todos aqueles que, nesse dia, se confessarem, comungarem, cumprirem exercícios particulares de devoção em honra da bem-aventurada Virgem Maria, em espírito de reparação”7.
Por desígnio da Divina Providência, cinco anos depois, na mesma data, aconteceu a “segunda aparição de Nossa Senhora em Fátima, durante a qual os três pastorinhos testemunharam a primeira grande manifestação do Imaculado Coração da Virgem Maria, vendo-o ‘cercado de espinhos que pareciam enterrados nele. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria ultrajado pelos pecados da humanidade que queria reparação’”8. Os termos usados pelo Papa São Pio X são quase exatamente os mesmos do pedido de Nossa Senhora a Irmã Lúcia, principalmente no que diz respeito “à extrema importância da intenção reparadora, única capaz de afastar e apaziguar a cólera de Deus”9.
Depois de conhecer um pouco mais a história da Igreja, percebemos que, em Fátima e em Pontevedra, a Virgem Maria não é inovadora, mas nos deu uma confirmação do Céu e um novo impulso à devoção dos primeiros sábados, unindo-a com a devoção ao seu Imaculado Coração.

Por que cinco sábados em reparação ao Imaculado Coração?

Em 1930, padre José Bernardo Gonçalves, então confessor da Irmã Lúcia, intrigado com a devoção dos cinco primeiros sábados em reparação ao Imaculado Coração de Maria, perguntou à Irmã: “Por que hão de ser ‘cinco sábados’ e não nove ou sete em honra das dores de Nossa Senhora?”10 Mas Lúcia não soube responder a pergunta do confessor.
Irmã Lúcia não sabia o que fazer ou dizer, até que, durante uma de suas orações, na noite do dia 29 para 30 de maio de 1930, nosso Senhor Jesus Cristo revelou a ela a razão da devoção dos cinco primeiros sábados: “Minha filha, o motivo é simples: são cinco as espécies de ofensas e blasfêmias contra o Imaculado Coração de Maria:
1 – As blasfêmias contra a Imaculada Conceição;
2 – Contra a Sua virgindade;
3 – Contra a Maternidade Divina, recusando, ao mesmo tempo, recebê-La como Mãe dos homens;
4 – Os que procuram publicamente infundir, nos corações das crianças, a indiferença, o desprezo e até o ódio para com esta Imaculada Mãe;
5 – Os que a ultrajam diretamente nas suas sagradas imagens.

Eis, minha filha, o motivo pelo qual o Imaculado Coração de Maria Me levou a pedir essa pequena reparação; e, em atenção a ela, mover a minha misericórdia ao perdão para com essas almas que tiveram a desgraça de a ofender”11.
A primeira ofensa é a negação do dogma da Imaculada Conceição, promulgado pelo Papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854.
A segunda, a negação da Doutrina Católica a respeito da virgindade perpétua de Nossa Senhora. São opositores dessa verdade as pessoas que negam que a concepção e o parto de Jesus não foram virginais, e que a Mãe de Deus não conservou a virgindade depois do parto, bem como aquelas que dizem que a Santíssima Virgem teve mais filhos além de Jesus.
A terceira, a negação da maternidade divina e espiritual da Virgem Maria, declarada no III Concílio de Constantinopla, no ano de 680. Nossa Senhora é Mãe de Deus e, ao mesmo tempo, Mãe espiritual dos homens, pela sua participação no mistério da Redenção de toda a humanidade.
A quarta, é o ódio para com a Santíssima Virgem Maria colocado, à força de falsas doutrinas, injúrias e blasfêmias, no coração das crianças. Desde o século passado, “a ideologia marxista-comunista procurou eliminar todos os vestígios de religião, a começar pelas crianças. […] Ensinava-se às crianças o racionalismo puro e, além disso, em certa nação, os pequeninos aprendiam ‘ladainhas’ de injúrias contra a Mãe de Deus”12.
A quinta, é o desrespeito para com as sagradas imagens de Nossa Senhora. Como outrora, não é raro, em nossos dias, o ultraje, o sacrilégio, o vandalismo, a destruição das imagens da Virgem Maria, principalmente quando estão expostas em locais públicos. Além disso, as pessoas que tiram as suas imagens das igrejas e capelas, ou as reduzem ao mínimo, ofendem também o Coração Imaculado da Santíssima Virgem e contrariam o que foi dito no Concílio Vaticano II a respeito das imagens sacras: “Observem religiosamente aquelas coisas que nos tempos passados foram decretadas acerca do culto das imagens de Cristo, da Bem-aventura Virgem e dos Santos”13, ou seja, devemos zelar pela tradicional e salutar devoção às sagradas imagens.

omo praticar a devoção dos cinco primeiros sábados?

A própria Virgem Maria nos ensinou a praticar a devoção reparadora das ofensas ao seu Imaculado Coração. Para praticar perfeitamente essa devoção, devemos – durante cinco primeiros sábados de cinco meses seguidos, na intenção geral de reparar nossos próprios pecados e os de toda a humanidade contra o Coração Imaculado de Maria – realizar quatro atos de piedade:
1 – A Confissão: devemos confessar preferencialmente no primeiro sábado. Caso seja impossível, ou muito difícil, podemos confessar com até oito dias ou mais de antecedência. Todavia, recordamos que é necessário estar em estado de graça no primeiro sábado do mês, a fim de fazer comunhão reparadora. Na confissão, é indispensável a intenção de reparar as ofensas contra o Imaculado Coração de Maria. Essa intenção reparadora não precisa ser dita ao confessor, mas apenas colocada mentalmente diante de Deus antes da confissão. Jesus Cristo disse à Irmã Lúcia que, se esquecermos da intenção reparadora, podemos colocar essa intenção na confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tivermos para nos confessar;
2 – O Terço: a tradicional oração do Terço mariano também faz parte da devoção dos cinco primeiros sábados, que deve ser rezado na intenção da reparação do Imaculado Coração da Santíssima Virgem;
3 – Os 15 minutos de meditação dos mistérios do Rosário: Nossa Senhora pediu que fizéssemos companhia a ela durante pelo menos 15 minutos, meditando sobre os 15 mistérios do Rosário14, na intenção da reparação ao seu Imaculado Coração. Essa meditação não precisa ser de todos os 15 ou 20 mistérios do Rosário. Podemos meditar apenas um, dois, três ou mais mistérios, conforme a nossa escolha. Outra opção é a meditação dos mistérios do Rosário conforme o tempo litúrgico. Por exemplo: no tempo do Advento, podemos meditar os mistérios Gozosos; no tempo da Quaresma, os Mistérios Dolorosos; no Tempo Pascal, os Mistérios Gloriosos; no Tempo Comum, podemos meditar aqueles mistérios que mais dizem respeito à Liturgia do dia ou do domingo;
4 – A comunhão: é um ato essencial da devoção reparadora ao Imaculado Coração de Maria. Para compreender bem a sua importância, lembremos que a devoção da comunhão das nove primeiras sextas-feiras tem como intenção a reparação das ofensas contra o Sagrado Coração de Jesus. Recordemos também que a comunhão milagrosa, dada aos três pastorinhos de Fátima pelo Anjo da Guarda de Portugal, no outono de 1916, teve um caráter eminentemente reparador. Essa intenção evidencia-se na oração ensinada pelo Anjo da Paz, repetida seis vezes, três vezes antes e três vezes depois da comunhão:
Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido; e pelos méritos infinitos de seu Sacratíssimo Coração e do Imaculado Coração de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores15.
Como nos casos acima, a intenção reparadora na devoção dos cinco primeiros sábados é muito importante, porque as ofensas contra o Imaculado Coração de Maria também ofendem gravemente o Sacratíssimo Coração de Jesus. Essa devoção reparadora, como um todo, pode ser também feita no domingo seguinte ao primeiro sábado, desde que seja por motivos justos e autorizado por um padre.

O poder e a eficácia sobrenaturais da devoção ao Imaculado Coração de Maria

Assim, a devoção ao Imaculado Coração, praticada nos primeiros sábados em reparação das ofensas cometidas contra a Virgem Maria, foi-nos revelada para salvação de muitas almas do inferno. Pois, cada vez mais, em nosso tempo, multiplicam-se os ataques contra a dignidade, os privilégios, as honras devidas a Nossa Senhora. Além disso, há uma diminuição considerável do culto mariano em quase toda a Igreja, em consequência principalmente dos erros espalhados pelo comunismo no mundo todo.
Sendo este o estado das coisas em nossos dias, a impiedade de muitos para com a Santíssima Virgem é ainda pior do que outrora. Por isso, certamente é mais do que essencial a intenção reparadora de nossa prática da devoção dos cinco primeiros sábados. Reparemos as ofensas cometidas contra o Imaculado Coração de Maria, tão ultrajado pela ingratidão dos homens, através da devoção que ela mesma nos indicou.
Na carta a Dom Manuel Maria Ferreira da Silva, Arcebispo titular de Gurza, escrita em 27 de maio de 1943, Irmã Lúcia nos ajuda a compreender o poder e a eficácia sobrenaturais da devoção ao Imaculado Coração de Maria: “’Os Santíssimos corações de Jesus e Maria amam e desejam este culto [para com o Coração de Maria], porque dele se servem para atrair todas as almas a eles, e isso é tudo o que desejam: salvar as almas, muitas almas, todas as almas’. Nosso Senhor me dizia há alguns dias: ‘Desejo ardentemente a propagação do culto e da devoção ao Coração de Maria, porque este Coração é o ímã que atrai as almas para mim, a fornalha que irradia na terra os raios de minha luz e de meu amor, fonte inesgotável de onde brota na terra a água viva de minha misericórdia‘”16. Com a certeza desta eficácia sobrenatural, peçamos a Mãe de Deus, com insistência e perseverança, as boas disposições de nossa alma para bem praticar a devoção dos cinco primeiros sábados.
Imaculado Coração de Maria, rogai por nós!