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segunda-feira, 13 de maio de 2019

FÁTIMA, 1917 : NOSSA SENHORA PROCLAMA A CIDADE DA PENITÊNCIA E ORAÇÃO



Documento da Congregação para Doutrina da Fé 


Na passagem do segundo para o terceiro milênio, o Papa João Paulo II decidiu tornar público o texto da terceira parte do “segredo de Fátima”.

Depois dos acontecimentos dramáticos e cruéis do século XX, um dos mais tormentosos da história do homem, com o ponto culminante no cruento atentado ao “doce Cristo na terra”, abre-se assim o véu sobre uma realidade que faz história e a interpreta na sua profundidade segundo uma dimensão espiritual, a que é refractária a mentalidade atual, frequentemente eivada de racionalismo. 
A história está constelada de aparições e sinais sobrenaturais, que influenciam o desenrolar dos acontecimentos humanos e acompanham o caminho do mundo, surpreendendo crentes e descrentes. Estas manifestações, que não podem contradizer o conteúdo da fé, devem convergir para o objecto central do anúncio de Cristo: o amor do Pai que suscita nos homens a conversão e dá a graça para se abandonarem a Ele com devoção filial. Tal é a mensagem de Fátima, com o seu veemente apelo à conversão e à penitência, que leva realmente ao coração do Evangelho.

Fátima é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas. A primeira e a segunda parte do “segredo”, que são publicadas em seguida para ficar completa a documentação, dizem respeito antes de mais à pavorosa visão do inferno, à devoção ao Imaculado Coração de Maria, à segunda guerra mundial, e depois ao prenúncio dos danos imensos que a Rússia, com a sua defecção da fé cristã e adesão ao totalitarismo comunista, haveria de causar à humanidade.

Em 1917, ninguém poderia ter imaginado tudo isto: os três pastorinhos de Fátima vêem, ouvem, memorizam, e Lúcia, a testemunha sobrevivente, quando recebe a ordem do Bispo de Leiria e a autorização de Nossa Senhora, põe por escrito.

Para a exposição das primeiras duas partes do “segredo”, aliás já publicadas e conhecidas, foi escolhido o texto escrito pela Irmã Lúcia na terceira memória, de 31 de Agosto de 1941; na quarta memória, de 8 de Dezembro de 1941, ela acrescentará qualquer observação.

A terceira parte do “segredo” foi escrita “por ordem de Sua Ex.cia Rev.ma o Senhor Bispo de Leiria e da (...) Santíssima Mãe”, no dia 3 de Janeiro de 1944.

Existe apenas um manuscrito, que é reproduzido aqui fotostaticamente. O envelope selado foi guardado primeiramente pelo Bispo de Leiria. Para se tutelar melhor o “segredo”, no dia 4 de Abril de 1957 o envelope foi entregue ao Arquivo Secreto do Santo Ofício. Disto mesmo, foi avisada a Irmã Lúcia pelo Bispo de Leiria.

Segundo apontamentos do Arquivo, no dia 17 de Agosto de 1959 e de acordo com Sua Eminência o Cardeal Alfredo Ottaviani, o Comissário do Santo Ofício, Padre Pierre Paul Philippe OP, levou a João XXIII o envelope com a terceira parte do “segredo de Fátima”. Sua Santidade, “depois de alguma hesitação”, disse: “Aguardemos. Rezarei. Far-lhe-ei saber o que decidi”.(1)

Na realidade, a decisão do Papa João XXIII foi enviar de novo o envelope selado para o Santo Ofício e não revelar a terceira parte do “segredo”.

Paulo VI leu o conteúdo com o Substituto da Secretaria de Estado, Sua Ex.cia Rev.ma D. Ângelo Dell''Acqua, a 27 de Março de 1965, e mandou novamente o envelope para o Arquivo do Santo Ofício, com a decisão de não publicar o texto.

João Paulo II, por sua vez, pediu o envelope com a terceira parte do “segredo”, após o atentado de 13 de Maio de 1981. Sua Eminência o Cardeal Franjo Seper, Prefeito da Congregação, a 18 de Julho de 1981 entregou a Sua Ex.cia Rev.ma D. Eduardo Martínez Somalo, Substituto da Secretaria de Estado, dois envelopes: um branco, com o texto original da Irmã Lúcia em língua portuguesa; outro cor-de-laranja, com a tradução do “segredo” em língua italiana. No dia 11 de Agosto seguinte, o Senhor D. Martínez Somalo devolveu os dois envelopes ao Arquivo do Santo Ofício.(2).

Como é sabido, o Papa João Paulo II pensou imediatamente na consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria e compôs ele mesmo uma oração para o designado “Acto de Entrega”, que seria celebrado na Basílica de Santa Maria Maior a 7 de Junho de 1981, solenidade de Pentecostes, dia escolhido para comemorar os 1600 anos do primeiro Concílio Constantinopolitano e os 1550 anos do Concílio de Éfeso. O Papa, forçadamente ausente, enviou uma radiomensagem com a sua alocução. Transcrevemos a parte do texto, onde se refere exatamente o ato de entrega:

“Ó Mãe dos homens e dos povos, Vós conheceis todos os seus sofrimentos e as suas esperanças, Vós sentis maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, que abalam o mundo, acolhei o nosso brado, dirigido no Espírito Santo directamente ao vosso Coração, e abraçai com o amor da Mãe e da Serva do Senhor aqueles que mais esperam por este abraço e, ao mesmo tempo, aqueles cuja entrega também Vós esperais de maneira particular. Tomai sob a vossa protecção materna a família humana inteira, que, com enlevo afectuoso, nós Vos confiamos, ó Mãe. Que se aproxime para todos o tempo da paz e da liberdade, o tempo da verdade, da justiça e da esperança”. (3)

Mas, para responder mais plenamente aos pedidos de Nossa Senhora, o Santo Padre quis, durante o Ano Santo da Redenção, tornar mais explícito o acto de entrega de 7 de Junho de 1981, repetido em Fátima no dia 13 de Maio de 1982. E, no dia 25 de Março de 1984, quando se recorda o fiat pronunciado por Maria no momento da Anunciação, na Praça de S. Pedro, em união espiritual com todos os Bispos do mundo precedentemente “convocados”, o Papa entrega ao Imaculado Coração de Maria os homens e os povos, com expressões que lembram as palavras ardorosas pronunciadas em 1981:

“E por isso, ó Mãe dos homens e dos povos, Vós que conheceis todos os seus sofrimentos e as suas esperanças, Vós que sentis maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, que abalam o mundo contemporâneo, acolhei o nosso clamor que, movidos pelo Espírito Santo, elevamos directamente ao vosso Coração: Abraçai, com amor de Mãe e de Serva do Senhor, este nosso mundo humano, que Vos confiamos e consagramos, cheios de inquietude pela sorte terrena e eterna dos homens e dos povos.

De modo especial Vos entregamos e consagramos aqueles homens e aquelas nações que desta entrega e desta consagração têm particularmente necessidade.

“À vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus”! Não desprezeis as súplicas que se elevam de nós que estamos na provação!”.

Depois o Papa continua com maior veemência e concretização de referências, quase comentando a Mensagem de Fátima nas suas predições infelizmente cumpridas:

“Encontrando-nos hoje diante Vós, Mãe de Cristo, diante do vosso Imaculado Coração, desejamos, juntamente com toda a Igreja, unir-nos à consagração que, por nosso amor, o vosso Filho fez de Si mesmo ao Pai: “Eu consagro-Me por eles — foram as suas palavras — para eles serem também consagrados na verdade”(Jo 17, 19). 

Queremos unir-nos ao nosso Redentor, nesta consagração pelo mundo e pelos homens, a qual, no seu Coração divino, tem o poder de alcançar o perdão e de conseguir a reparação.

A força desta consagração permanece por todos os tempos e abrange todos os homens, os povos e as nações; e supera todo o mal, que o espírito das trevas é capaz de despertar no coração do homem e na sua história e que, de facto, despertou nos nossos tempos.

Oh quão profundamente sentimos a necessidade de consagração pela humanidade e pelo mundo: pelo nosso mundo contemporâneo, em união com o próprio Cristo! Na realidade, a obra redentora de Cristo deve ser participada pelo mundo por meio da Igreja.

Manifesta-o o presente Ano da Redenção: o Jubileu extraordinário de toda a Igreja.

Neste Ano Santo, bendita sejais acima de todas as criaturas Vós, Serva do Senhor, que obedecestes da maneira mais plena ao chamamento Divino!

Louvada sejais Vós, que estais inteiramente unida à consagração redentora do vosso Filho!

Mãe da Igreja! Iluminai o Povo de Deus nos caminhos da fé, da esperança e da caridade! Iluminai de modo especial os povos dos quais Vós esperais a nossa consagração e a nossa entrega. Ajudai-nos a viver na verdade da consagração de Cristo por toda a família humana do mundo contemporâneo.

Confiando-Vos, ó Mãe, o mundo, todos os homens e todos os povos, nós Vos confiamos também a própria consagração do mundo, depositando-a no vosso Coração materno.

Oh Imaculado Coração! Ajudai-nos a vencer a ameaça do mal, que se enraíza tão facilmente nos corações dos homens de hoje e que, nos seus efeitos incomensuráveis, pesa já sobre a vida presente e parece fechar os caminhos do futuro!

Da fome e da guerra, livrai-nos!

Da guerra nuclear, de uma autodestruição incalculável, e de toda a espécie de guerra, livrai-nos!

Dos pecados contra a vida do homem desde os seus primeiros instantes, livrai-nos!

Do ódio e do aviltamento da dignidade dos filhos de Deus, livrai-nos!

De todo o género de injustiça na vida social, nacional e internacional, livrai-nos!

Da facilidade em calcar aos pés os mandamentos de Deus, livrai-nos!

Da tentativa de ofuscar nos corações humanos a própria verdade de Deus, livrai-nos!

Da perda da consciência do bem e do mal, livrai-nos!

Dos pecados contra o Espírito Santo, livrai-nos, livrai-nos!

Acolhei, ó Mãe de Cristo, este clamor carregado do sofrimento de todos os homens! Carregado do sofrimento de sociedades inteiras!

Ajudai-nos com a força do Espírito Santo a vencer todo o pecado: o pecado do homem e o “pecado do mundo”, enfim o pecado em todas as suas manifestações.

Que se revele uma vez mais, na história do mundo, a força salvífica infinita da Redenção: a força do Amor misericordioso! Que ele detenha o mal! Que ele transforme as consciências! Que se manifeste para todos, no vosso Imaculado Coração, a luz da Esperança!”.(4)

A Irmã Lúcia confirmou pessoalmente que este acto, solene e universal, de consagração correspondia àquilo que Nossa Senhora queria: “Sim, está feita tal como Nossa Senhora a pediu, desde o dia 25 de Março de 1984” (carta de 8 de Novembro de 1989). Por isso, qualquer discussão e ulterior petição não tem fundamento.

Na documentação apresentada, para além das páginas manuscritas da Irmã Lúcia inserem-se mais quatro textos: 1) A carta do Santo Padre à Irmã Lúcia, datada de 19 de Abril de 2000; 2) Uma descrição do colóquio que houve com a Irmã Lúcia no dia 27 de Abril de 2000; 3) A comunicação lida, por encargo do Santo Padre, por Sua Eminência o Cardeal Ângelo Sodano, Secretário de Estado, em Fátima no dia 13 de Maio deste ano; 4) O comentário teológico de Sua Eminência o Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Uma orientação para a interpretação da terceira parte do “segredo” tinha sido já oferecida pela Irmã Lúcia, numa carta dirigida ao Santo Padre a 12 de Maio de 1982, onde dizia:

“A terceira parte do segredo refere-se às palavras de Nossa Senhora: “Se não, [a Rússia] espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas”(13-VII-1917). 

A terceira parte do segredo é uma revelação simbólica, que se refere a este trecho da Mensagem, condicionada ao facto de aceitarmos ou não o que a Mensagem nos pede: “Se atenderem a meus pedidos, a Rússia converter-se-á e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, etc”.

Porque não temos atendido a este apelo da Mensagem, verificamos que ela se tem cumprido, a Rússia foi invadindo o mundo com os seus erros. E se não vemos ainda, como facto consumado, o final desta profecia, vemos que para aí caminhamos a passos largos. Se não recuarmos no caminho do pecado, do ódio, da vingança, da injustiça atropelando os direitos da pessoa humana, da imoralidade e da violência, etc.

E não digamos que é Deus que assim nos castiga; mas, sim, que são os homens que para si mesmos se preparam o castigo. Deus apenas nos adverte e chama ao bom caminho, respeitando a liberdade que nos deu; por isso os homens são responsáveis”.(5)

A decisão tomada pelo Santo Padre João Paulo II de tornar pública a terceira parte do “segredo” de Fátima encerra um pedaço de história, marcado por trágicas veleidades humanas de poder e de iniquidade, mas permeada pelo amor misericordioso de Deus e pela vigilância cuidadosa da Mãe de Jesus e da Igreja.

Acção de Deus, Senhor da história, e corresponsabilidade do homem, no exercício dramático e fecundo da sua liberdade, são os dois alicerces sobre os quais se constrói a história da humanidade.

Ao aparecer em Fátima, Nossa Senhora faz-nos apelo a estes valores esquecidos, a este futuro do homem em Deus, do qual somos parte activa e responsável.

Tarcisio Bertone, SDB

Arcebispo emérito de Vercelli

Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé

O “SEGREDO” DE FÁTIMA



PRIMEIRA E SEGUNDA PARTE DO “SEGREDO” SEGUNDO A REDACÇÃO FEITA PELA IRMÃ LÚCIA NA “TERCEIRA MEMÓRIA”, DE 31 DE AGOSTO DE 1941, DESTINADA AO BISPO DE LEIRIA-FÁTIMA

(Texto Original)

(transcrição) (6)




Terei para isso que falar algo do segredo e responder ao primeiro ponto de interrogação.




O que é o segredo?




Parece-me que o posso dizer, pois que do Céu tenho já a licença. Os representantes de Deus na terra, têm-me autorizado a isso várias vezes, e em várias cartas, uma das quais, julgo que conserva V. Ex.cia Rev.ma do Senhor Padre José Bernardo Gonçalves, na em que me manda escrever ao Santo Padre. Um dos pontos que me indica é a revelação do segredo. Algo disse, mas para não alongar mais esse escrito que devia ser breve, limitei-me ao indispensável, deixando a Deus a oportunidade d''um momento mais favorável.




Expus já no segundo escrito a dúvida que de 13 de Junho a 13 de Julho me atormentou e que n''essa aparição tudo se desvaneceu.




Bem o segredo consta de três coisas distintas, duas das quais vou revelar.




A primeira foi pois a vista do inferno!




Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fôgo que parcia estar debaixo da terra. Mergulhados em êsse fôgo os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras, ou bronziadas com formahumana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que d''elas mesmas saiam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faulhas em os grandes incêndios sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dôr e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demónios destinguiam-se por formas horríveis e ascrosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. Esta vista foi um momento, e graças à nossa bôa Mãe do Céu; que antes nos tinha prevenido com a promeça de nos levar para o Céu (na primeira aparição) se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor.




Em seguida, levantámos os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza:




— Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores, para as salvar, Deus quer establecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu disser salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra peor. Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será consedido ao mundo algum tempo de paz.(7)



TERCEIRA PARTE DO “SEGREDO”

(texto original)

(transcrição) (8)

“J.M.J.

A terceira parte do segredo revelado a 13 de Julho de 1917 na Cova da Iria-Fátima.

Escrevo em acto de obediência a Vós Deus meu, que mo mandais por meio de sua Ex.cia Rev.ma o Senhor Bispo de Leiria e da Vossa e minha Santíssima Mãe.

Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fôgo em a mão esquerda; ao centilar, despedia chamas que parecia iam encendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos n'uma luz emensa que é Deus: “algo semelhante a como se vêem as pessoas n'um espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio tremulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, n'eles recolhiam o sangue dos Martires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus.

Tuy-3-1-1944”.

INTERPRETAÇÃO DO “SEGREDO”



CARTA DE JOÃO PAULO II

À IRMÃ LÚCIA

(texto original)

COLÓQUIO COM A IRMÃ MARIA LÚCIA DE JESUS E DO CORAÇÃO IMACULADO




O encontro da Irmã Lúcia com Sua Ex.cia Rev.ma D. Tarcisio Bertone, Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, por encargo recebido do Santo Padre, e Sua Ex.cia Rev.ma D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva, Bispo de Leiria-Fátima, teve lugar a 27 de Abril passado (uma quinta-feira), no Carmelo de Santa Teresa em Coimbra.




A Irmã Lúcia estava lúcida e calma, dizendo-se muito feliz com a ida do Santo Padre a Fátima para a Beatificação de Francisco e Jacinta, há muito desejada por ela.




O Bispo de Leiria-Fátima leu a carta autógrafa do Santo Padre, que explicava os motivos da visita. A Irmã Lúcia disse sentir-se muito honrada, e releu pessoalmente a carta comprazendo-se por vê-la nas suas próprias mãos. Declarou-se disposta a responder francamente a todas as perguntas.




Então, o Senhor D. Tarcisio Bertone apresenta-lhe dois envelopes: um exterior que tinha dentro outro com a carta onde estava a terceira parte do “segredo” de Fátima. Tocando esta segunda com os dedos, logo exclamou: “É a minha carta”, e, depois de a ler, acrescentou: “É a minha letra”.




Com o auxílio do Bispo de Leiria-Fátima, foi lido e interpretado o texto original, que é em língua portuguesa. A Irmã Lúcia concorda com a interpretação segundo a qual a terceira parte do “segredo” consiste numa visão profética, comparável às da história sagrada. Ela reafirma a sua convicção de que a visão de Fátima se refere sobretudo à luta do comunismo ateu contra a Igreja e os cristãos, e descreve o imane sofrimento das vítimas da fé no século XX.




À pergunta: “A personagem principal da visão é o Papa?”, a Irmã Lúcia responde imediatamente que sim e recorda como os três pastorinhos sentiam muita pena pelo sofrimento do Papa e Jacinta repetia: “Coitadinho do Santo Padre. Tenho muita pena dos pecadores!” A Irmã Lúcia continua: “Não sabíamos o nome do Papa; Nossa Senhora não nos disse o nome do Papa. Não sabíamos se era Bento XV, Pio XII, Paulo VI ou João Paulo II, mas que era o Papa que sofria e isso fazia-nos sofrer a nós também”.




Quanto à passagem relativa ao Bispo vestido de branco, isto é, ao Santo Padre — como logo perceberam os pastorinhos durante a “visão” — que é ferido de morte e cai por terra, a irmã Lúcia concorda plenamente com a afirmação do Papa: “Foi uma mão materna que guiou a trajectória da bala e o Santo Padre agonizante deteve-se no limiar da morte” (João Paulo II, Meditação com os Bispos Italianos, a partir da Policlínica Gemelli, 13 de Maio de 1994).




Uma vez que a Irmã Lúcia, antes de entregar ao Bispo de Leiria-Fátima de então o envelope selado com a terceira parte do “segredo”, tinha escrito no envelope exterior que podia ser aberto somente depois de 1960 pelo Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria, o Senhor D. Bertone pergunta-lhe: “Porquê o limite de 1960? Foi Nossa Senhora que indicou aquela data?”.Resposta da Irmã Lúcia: “Não foi Nossa Senhora; fui eu que meti a data de 1960 porque, segundo intuição minha, antes de 1960 não se perceberia, compreender-se-ia somente depois. Agora pode-se compreender melhor. Eu escrevi o que vi; não compete a mim a interpretação, mas ao Papa”.




Por último, alude-se ao manuscrito, não publicado, que a Irmã Lúcia preparou para dar resposta a tantas cartas de devotos e peregrinos de Nossa Senhora. A obra intitula-se “Os apelos da Mensagem de Fátima”, e contém pensamentos e reflexões que exprimem, em chave catequética e parenética, os seus sentimentos e espiritualidade cândida e simples. Perguntou-se-lhe se gostava que fosse publicado, ao que a Irmã Lúcia respondeu: “Se o Santo Padre estiver de acordo, eu fico contente; caso contrário, obedeço àquilo que decidir o Santo Padre”. A Irmã Lúcia deseja sujeitar o texto à aprovação da Autoridade Eclesiástica, esperando que o seu escrito possa contribuir para guiar os homens e mulheres de boa vontade no caminho que conduz a Deus, meta última de todo o anseio humano.




O colóquio termina com uma troca de terços: à Irmã Lúcia foi dado o terço oferecido pelo Santo Padre, e ela, por sua vez, entrega alguns terços confeccionados pessoalmente por ela.




A Bênção, concedida em nome do Santo Padre, concluiu o encontro.




Comunicação de sua eminência o Card. Ângelo Sodano secretário de estado de sua santidade




No final da solene Concelebração Eucarística presidida por João Paulo II em Fátima, o Cardeal Ângelo Sodano, Secretário de Estado, pronunciou em português as palavras seguintes:




Irmãos e irmãs no Senhor!




No termo desta solene celebração, sinto o dever de apresentar ao nosso amado Santo Padre João Paulo II os votos mais cordiais de todos os presentes pelo seu próximo octogésimo aniversário natalício, agradecidos pelo seu precioso ministério pastoral em benefício de toda a Santa Igreja de Deus.




Na circunstância solene da sua vinda a Fátima, o Sumo Pontífice incumbiu-me de vos comunicar uma notícia. Como é sabido, a finalidade da vinda do Santo Padre a Fátima é a beatificação dos dois Pastorinhos. Contudo Ele quer dar a esta sua peregrinação também o valor de um renovado preito de gratidão a Nossa Senhora pela protecção que Ela Lhe tem concedido durante estes anos de pontificado. É uma protecção que parece ter a ver também com a chamada terceira parte do “segredo” de Fátima.




Tal texto constitui uma visão profética comparável às da Sagrada Escritura, que não descrevem de forma fotográfica os detalhes dos acontecimentos futuros, mas sintetizam e condensam sobre a mesma linha de fundo factos que se prolongam no tempo numa sucessão e duração não especificadas. Em consequência, a chave de leitura do texto só pode ser de carácter simbólico.




A visão de Fátima refere-se, sobretudo à luta dos sistemas ateus contra a Igreja e os cristãos e descreve o sofrimento imane das testemunhas da fé do último século do segundo milénio. É uma Via Sacra sem fim, guiada pelos Papas do século vinte.




Segundo a interpretação dos pastorinhos, interpretação confirmada ainda recentemente pela Irmã Lúcia, o “Bispo vestido de branco” que reza por todos os fiéis é o Papa. Também Ele, caminhando penosamente para a Cruz por entre os cadáveres dos martirizados (bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e várias pessoas seculares), cai por terra como morto sob os tiros de uma arma de fogo.




Depois do atentado de 13 de Maio de 1981, pareceu claramente a Sua Santidade que foi “uma mão materna a guiar a trajectória da bala”, permitindo que o “Papa agonizante” se detivesse “no limiar da morte” [João Paulo II, Meditação com os Bispos Italianos, a partir da Policlínica Gemelli, em: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, XVII-1 (Città del Vaticano 1994), 1061]. Certa ocasião em que o Bispo de Leiria-Fátima de então passara por Roma, o Papa decidiu entregar-lhe a bala que tinha ficado no jeep depois do atentado, para ser guardada no Santuário. Por iniciativa do Bispo, essa bala foi depois encastoada na coroa da imagem de Nossa Senhora de Fátima.




Depois, os acontecimentos de 1989 levaram, quer na União Soviética quer em numerosos Países do Leste, à queda do regime comunista que propugnava o ateísmo. O Sumo Pontífice agradece do fundo do coração à Virgem Santíssima também por isso. Mas, noutras partes do mundo, os ataques contra a Igreja e os cristãos, com a carga de sofrimento que eles provocam, infelizmente não cessaram.




Embora os acontecimentos a que faz referência a terceira parte do “segredo” de Fátima pareçam pertencer já ao passado, o apelo à conversão e à penitência, manifestado por Nossa Senhora ao início do século vinte, conserva ainda hoje uma estimulante actualidade. “A Senhora da Mensagem parece ler com uma perspicácia singular os sinais dos tempos, os sinais do nosso tempo. (...) O convite insistente de Maria Santíssima à penitência não é senão a manifestação da sua solicitude materna pelos destinos da família humana, necessitada de conversão e de perdão” [João Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial do Doente - 1997 n. 1, em: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, XIX-2 (Città del Vaticano 1996), 561].




Para consentir que os fiéis recebam melhor a mensagem da Virgem de Fátima, o Papa confiou à Congregação para a Doutrina da Fé o encargo de tornar pública a terceira parte do “segredo”, depois de lhe ter preparado um adequado comentário.




Irmãos e irmãs, damos graças a Nossa Senhora de Fátima pela sua protecção. Confiamos à sua materna intercessão a Igreja do Terceiro Milénio.




Sub tuum præsidium confugimus, Sancta Dei Genetrix! Intercede pro Ecclesia. Intercede pro Papa nostro Ioanne Paulo II. Amém.




Fátima, 13 de Maio de 2000.



COMENTÁRIO TEOLÓGICO




Quem lê com atenção o texto do chamado terceiro “segredo” de Fátima, que depois de longo tempo, por disposição do Santo Padre, é aqui publicado integralmente, ficará presumivelmente desiludido ou maravilhado depois de todas as especulações que foram feitas. Não é revelado nenhum grande mistério; o véu do futuro não é rasgado. Vemos a Igreja dos mártires deste século que está para findar, representada através duma cena descrita numa linguagem simbólica de difícil decifração. É isto o que a Mãe do Senhor queria comunicar à cristandade, à humanidade num tempo de grandes problemas e angústias? Serve-nos de ajuda no início do novo milénio? Ou não serão talvez apenas projecções do mundo interior de crianças, crescidas num ambiente de profunda piedade, mas simultaneamente assustadas pelas tempestades que ameaçavam o seu tempo? Como devemos entender a visão, o que pensar dela?




Revelação pública e revelações privadas — O seu lugar teológico




Antes de encetar uma tentativa de interpretação, cujas linhas essenciais podem encontrar-se na comunicação que o Cardeal Sodano pronunciou, no dia 13 de Maio deste ano, no fim da Celebração Eucarística presidida pelo Santo Padre em Fátima, é necessário dar alguns esclarecimentos básicos sobre o modo como, segundo a doutrina da Igreja, devem ser compreendidos no âmbito da vida de fé fenómenos como o de Fátima. A doutrina da Igreja distingue “revelação pública” e “revelações privadas”; entre as duas realidades existe uma diferença essencial, e não apenas de grau. A noção “revelação pública” designa a acção reveladora de Deus que se destina à humanidade inteira e está expressa literariamente nas duas partes da Bíblia: o Antigo e o Novo Testamento. Chama-se “revelação”, porque nela Deus Se foi dando a conhecer progressivamente aos homens, até ao ponto de Ele mesmo Se tornar homem, para atrair e reunir em Si próprio o mundo inteiro por meio do Filho encarnado, Jesus Cristo. Não se trata, portanto, de comunicações intelectuais, mas de um processo vital em que Deus Se aproxima do homem; naturalmente nesse processo, depois aparecem também conteúdos que têm a ver com a inteligência e a compreensão do mistério de Deus. Tal processo envolve o homem inteiro e, por conseguinte, também a razão, mas não só ela. Uma vez que Deus é um só, também a história que Ele vive com a humanidade é única, vale para todos os tempos e encontrou a sua plenitude com a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Por outras palavras, em Cristo Deus disse tudo de Si mesmo, e, portanto a revelação ficou concluída com a realização do mistério de Cristo, expresso no Novo Testamento. O Catecismo da Igreja Católica, para explicar este carácter definitivo e pleno da revelação, cita o seguinte texto de S. João da Cruz: “Ao dar-nos, como nos deu, o seu Filho, que é a sua Palavra? E não tem outra? Deus disse-nos tudo ao mesmo tempo e de uma só vez nesta Palavra única (...) porque o que antes disse parcialmente pelos profetas revelou-o totalmente, dando-nos o Todo que é o seu Filho. E por isso, quem agora quisesse consultar a Deus ou pedir-Lhe alguma visão ou revelação, não só cometeria um disparate, mas faria agravo a Deus, por não pôr os olhos totalmente em Cristo e buscar fora d''Ele outra realidade ou novidade” (CIC, n. 65; S. João da Cruz, A Subida do Monte Carmelo, II, 22).




O facto de a única revelação de Deus destinada a todos os povos ter ficado concluída com Cristo e o testemunho que d''Ele nos dão os livros do Novo Testamento vincula a Igreja com o acontecimento único que é a história sagrada e a palavra da Bíblia, que garante e interpreta tal acontecimento, mas não significa que agora a Igreja pode apenas olhar para o passado, ficando assim condenada a uma estéril repetição. Eis o que diz o Catecismo da Igreja Católica: “No entanto, apesar de a Revelação ter acabado, não quer dizer que esteja completamente explicitada. E está reservado à fé cristã apreender gradualmente todo o seu alcance no decorrer dos séculos” (n. 66). Estes dois aspectos — O vínculo com a unicidade do acontecimento e o progresso na sua compreensão — estão optimamente ilustrados nos discursos de despedida do Senhor, quando Ele declara aos discípulos: “Ainda tenho muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Espírito da Verdade, Ele guiar-vos-á para a verdade total, porque não falará de Si mesmo (...) Ele glorificar-Me-á, porque há-de receber do que é meu, para vo-lo anunciar” (Jo 16, 12-14). Por um lado, o Espírito serve de guia, desvendando assim um conhecimento cuja densidade não se podia alcançar antes porque faltava o pressuposto, ou seja, o da amplidão e profundidade da fé cristã, e que é tal que não estará concluída jamais. Por outro lado, esse acto de guiar é “receber” do tesouro do próprio Jesus Cristo, cuja profundidade inexaurível se manifesta nesta condução por obra do Espírito. A propósito disto, o Catecismo cita uma densa frase do Papa Gregório Magno: “As palavras divinas crescem com quem as lê” (CIC, n. 94; S. Gregório Magno, Homilia sobre Ezequiel 1, 7, 8). O Concílio Vaticano II indica três caminhos essenciais, através dos quais o Espírito Santo efectua a sua guia da Igreja e, consequentemente, o “crescimento da Palavra”: realiza-se por meio da meditação e estudo dos fiéis, por meio da íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais, e por meio da pregação daqueles “que, com a sucessão do episcopado, receberam o carisma da verdade” (Dei Verbum, n. 8).




Neste contexto, torna-se agora possível compreender correctamente o conceito de “revelação privada”, que se aplica a todas as visões e revelações verificadas depois da conclusão do Novo Testamento; nesta categoria, portanto, se deve colocar a mensagem de Fátima. Ouçamos o que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre isto também: “No decurso dos séculos tem havido revelações ditas “privadas”, algumas das quais foram reconhecidas pela autoridade da Igreja. (...) O seu papel não é (...) “completar”a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente numa determinada época da história” (n. 67). Isto deixa claro duas coisas:




1. A autoridade das revelações privadas é essencialmente diversa da única revelação pública: esta exige a nossa fé; de facto, nela, é o próprio Deus que nos fala por meio de palavras humanas e da mediação da comunidade viva da Igreja. A fé em Deus e na sua Palavra é distinta de qualquer outra fé, crença, opinião humana. A certeza de que é Deus que fala, cria em mim a segurança de encontrar a própria verdade; uma certeza assim não se pode verificar em mais nenhuma forma humana de conhecimento. É sobre tal certeza que edifico a minha vida e me entrego ao morrer.




2. A revelação privada é um auxílio para esta fé, e manifesta-se credível precisamente porque faz apelo à única revelação pública. O Cardeal Próspero Lambertini, mais tarde Papa Bento XIV, afirma a tal propósito num tratado clássico, que se tornou normativo a propósito das beatificações e canonizações: “A tais revelações aprovadas não é devida uma adesão de fé católica; nem isso é possível. Estas revelações requerem, antes, uma adesão de fé humana ditada pelas regras da prudência, que no-las apresentam como prováveis e religiosamente credíveis”. O teólogo flamengo E. Dhanis, eminente conhecedor desta matéria, afirma sinteticamente que a aprovação eclesial duma revelação privada contém três elementos: que a respectiva mensagem não contém nada em contraste com a fé e os bons costumes, que é lícito torná-la pública, e que os fiéis ficam autorizados a prestar-lhe de forma prudente a sua adesão [E. Dhanis, Sguardo su Fatima e bilancio di una discussione, em: La Civiltà Cattolica, CIV (1953-II), 392-406, especialmente 397]. Tal mensagem pode ser um válido auxílio para compreender e viver melhor o Evangelho na hora actual; por isso, não se deve transcurar. É uma ajuda que é oferecida, mas não é obrigatório fazer uso dela.




Assim, o critério para medir a verdade e o valor duma revelação privada é a sua orientação para o próprio Cristo. Quando se afasta d''Ele, quando se torna autónoma ou até se faz passar por outro desígnio de salvação, melhor e mais importante que o Evangelho, então ela certamente não provém do Espírito Santo, que nos guia no âmbito do Evangelho e não fora dele. Isto não exclui que uma revelação privada realce novos aspectos, faça surgir formas de piedade novas ou aprofunde e divulgue antigas. Mas, em tudo isso, deve tratar-se sempre de um alimento para a fé, a esperança e a caridade, que são, para todos, o caminho permanente da salvação. Podemos acrescentar que frequentemente as revelações privadas provêm da piedade popular e nela se reflectem, dando-lhe novo impulso e suscitando formas novas. Isto não exclui que aquelas tenham influência também na própria liturgia, como o demonstram, por exemplo, a festa do Corpo de Deus e a do Sagrado Coração de Jesus. Numa determinada perspectiva, pode-se afirmar que, na relação entre liturgia e piedade popular, está delineada a relação entre revelação pública e revelações privadas: a liturgia é o critério, a forma vital da Igreja no seu conjunto alimentada directamente pelo Evangelho. A religiosidade popular significa que a fé cria raízes no coração dos diversos povos, entrando a fazer parte do mundo da vida quotidiana. A religiosidade popular é a primeira e fundamental forma de “inculturação” da fé, que deve continuamente deixar-se orientar e guiar pelas indicações da liturgia, mas que, por sua vez, a fecunda a partir do coração.




Desta forma, passámos já das especificações mais negativas, e que eram primariamente necessárias, à definição positiva das revelações privadas: Como podem classificar-se de modo correcto a partir da Escritura? Qual é a sua categoria teológica? A carta mais antiga de S. Paulo que nos foi conservada e que é também o mais antigo escrito do Novo Testamento, a primeira Carta aos Tessalonicenses, parece-me oferecer uma indicação. Lá, diz o Apóstolo: “Não extingais o Espírito, não desprezeis as profecias. Examinai tudo e retende o que for bom” (5, 19-21). Em todo o tempo é dado à Igreja o carisma da profecia, que, embora tenha de ser examinado, não pode ser desprezado. A este propósito, é preciso ter presente que a profecia, no sentido da Bíblia, não significa predizer o futuro, mas aplicar a vontade de Deus ao tempo presente e consequentemente mostrar o recto caminho do futuro. Aquele que prediz o futuro pretende satisfazer a curiosidade da razão, que deseja rasgar o véu que esconde o futuro; o profeta vem em ajuda da cegueira da vontade e do pensamento, ilustrando a vontade de Deus enquanto exigência e indicação para o presente. Neste caso, a predição do futuro tem uma importância secundária; o essencial é a actualização da única revelação, que me diz respeito profundamente: a palavra profética ora é advertência ora consolação, ou então as duas coisas ao mesmo tempo. Neste sentido, pode-se relacionar o carisma da profecia com a noção “sinais do tempo”, redescoberta pelo Vaticano II: “Sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu; como é que não sabeis interpretar o tempo presente?” (Lc 12, 56). Por “sinais do tempo”, nesta palavra de Jesus, deve-se entender o seu próprio caminho, Ele mesmo. Interpretar os sinais do tempo à luz da fé significa reconhecer a presença de Cristo em cada período de tempo. Nas revelações privadas reconhecidas pela Igreja — E, portanto na de Fátima — Trata-se disto mesmo: ajudar-nos a compreender os sinais do tempo e a encontrar na fé a justa resposta para os mesmos.

A estrutura antropológica das revelações privadas

Tendo nós procurado, com estas reflexões, determinar o lugar teológico das revelações privadas, devemos agora, ainda antes de nos lançarmos numa interpretação da mensagem de Fátima, esclarecer, embora brevemente, o seu carácter antropológico (psicológico). A antropologia teológica distingue, neste âmbito, três formas de percepção ou “visão”: a visão pelos sentidos, ou seja, a percepção externa corpórea; a percepção interior; e a visão espiritual (visio sensibilis, imaginativa, intellectualis). É claro que, nas visões de Lourdes, Fátima, etc, não se trata da percepção externa normal dos sentidos: as imagens e as figuras vistas não se encontram fora no espaço circundante, como está lá, por exemplo, uma árvore ou uma casa. Isto é bem evidente, por exemplo, no caso da visão do inferno (descrita na primeira parte do “segredo” de Fátima) ou então na visão descrita na terceira parte do “segredo”, mas pode-se facilmente comprovar também noutras visões, sobretudo porque não eram captadas por todos os presentes, mas apenas pelos “videntes”. De igual modo, é claro que não se trata duma “visão” intelectual sem imagens, como acontece nos altos graus da mística. Trata-se, portanto, da categoria intermédia, a percepção interior que, para o vidente, tem uma força de presença tal que equivale à manifestação externa sensível.

Este ver interiormente não significa que se trata de fantasia, que seria apenas uma expressão da imaginação subjectiva. Significa, antes, que a alma recebe o toque suave de algo real, mas que está para além do sensível, tornando-a capaz de ver o não-sensível, o não-visível aos sentidos: uma visão através dos “sentidos internos”. Trata-se de verdadeiros “objectos” que tocam a alma, embora não pertençam ao mundo sensível que nos é habitual. Por isso, exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma. A pessoa é levada para além da pura exterioridade, onde é tocada por dimensões mais profundas da realidade que se lhe tornam visíveis. Talvez assim se possa compreender por que motivo os destinatários preferidos de tais aparições sejam precisamente as crianças: a sua alma ainda está pouco alterada, e quase intacta a sua capacidade interior de percepção. “Da boca dos pequeninos e das crianças de peito recebeste louvor”: esta foi a resposta de Jesus — servindo-se duma frase do Salmo 8 (v. 3) — à crítica dos sumos sacerdotes e anciãos, que achavam inoportuno o grito hossana das crianças (Mt 21, 16).

Como dissemos, a “visão interior” não é fantasia, mas uma verdadeira e própria maneira de verificação. Fá-lo, porém, com as limitações que lhe são próprias. Se, na visão exterior, já interfere o elemento subjectivo, isto é, não vemos o objecto puro, mas este chega-nos através do filtro dos nossos sentidos que têm de operar um processo de tradução; na visão interior, isso é ainda mais claro, sobretudo quando se trata de realidades que por si mesmas ultrapassam o nosso horizonte. O sujeito, o vidente, tem uma influência ainda mais forte; vê segundo as próprias capacidades concretas, com as modalidades de representação e conhecimento que lhe são acessíveis. Na visão interior, há, de maneira ainda mais acentuada que na exterior, um processo de tradução, desempenhando o sujeito uma parte essencial na formação da imagem daquilo que aparece. A imagem pode ser captada apenas segundo as suas medidas e possibilidades. Assim, tais visões não são em caso algum a “fotografia” pura e simples do Além, mas trazem consigo também as possibilidades e limitações do sujeito que as apreende.

Isto é patente em todas as grandes visões dos Santos; naturalmente vale também para as visões dos pastorinhos de Fátima. As imagens por eles delineadas não são de modo algum mera expressão da sua fantasia, mas fruto duma percepção real de origem superior e íntima; nem se hão-de imaginar como se por um instante se tivesse erguido a ponta do véu do Além, aparecendo o Céu na sua essencialidade pura, como esperamos vê-lo na união definitiva com Deus. Poder-se-ia dizer que as imagens são uma síntese entre o impulso vindo do Alto e as possibilidades disponíveis para o efeito por parte do sujeito que as recebe, isto é, das crianças. Por tal motivo, a linguagem feita de imagens destas visões é uma linguagem simbólica. Sobre isto, diz o Cardeal Sodano: “Não descrevem de forma fotográfica os detalhes dos acontecimentos futuros, mas sintetizam e condensam sobre a mesma linha de fundo factos que se prolongam no tempo numa sucessão e duração não especificadas”. Esta sobreposição de tempos e espaços numa única imagem é típica de tais visões, que, na sua maioria, só podem ser decifradas a posteriori. E não é necessário que cada elemento da visão tenha de possuir uma correspondência histórica concreta. O que conta é a visão como um todo, e a partir do conjunto das imagens é que se devem compreender os detalhes. O que efectivamente constitui o centro duma imagem só pode ser desvendado, em última análise, a partir do que é o centro absoluto da “profecia” cristã: o centro é o ponto onde a visão se torna apelo e indicação da vontade de Deus.


Uma tentativa de interpretação do “segredo” de Fátima

A primeira e a segunda parte do “segredo” de Fátima foram já discutidas tão amplamente por específicas publicações, que não necessitam de ser ilustradas novamente aqui. Queria apenas chamar brevemente a atenção para o ponto mais significativo. Os pastorinhos experimentaram, durante um instante terrível, uma visão do inferno. Viram a queda das “almas dos pobres pecadores”. Em seguida, foi-lhes dito o motivo pelo qual tiveram de passar por esse instante: para “salvá-las”? Para mostrar um caminho de salvação. Isto faz-nos recordar uma frase da primeira Carta de Pedro que diz: “Estais certos de obter, como prémio da vossa fé, a salvação das almas” (1, 9). Como caminho para se chegar a tal objectivo, é indicado de modo surpreendente para pessoas originárias do ambiente cultural anglo-saxónico e germânico - a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Para compreender isto, deveria bastar uma breve explicação. O termo “coração”, na linguagem da Bíblia, significa o centro da existência humana, uma confluência da razão, vontade, temperamento e sensibilidade, onde a pessoa encontra a sua unidade e orientação interior. O “coração imaculado” é, segundo o evangelho de Mateus (5, 8), um coração que a partir de Deus chegou a uma perfeita unidade interior e, consequentemente, “vê a Deus”. Portanto, “devoção” ao Imaculado Coração de Maria é aproximar-se desta atitude do coração, na qual o fiat — “seja feita a vossa vontade” — Torna-se o centro conformador de toda a existência. Se porventura alguém objectasse que não se deve interpor um ser humano entre nós e Cristo, lembre-se de que Paulo não tem medo de dizer às suas comunidades: “Imitai-me” (cf. 1 Cor 4, 16; Fil 3, 17; 1 Tes 1, 6; 2 Tes 3, 7.9). No Apóstolo, elas podem verificar concretamente o que significa seguir Cristo. Mas, com quem poderemos nós aprender sempre melhor do que com a Mãe do Senhor?

Chegamos assim finalmente à terceira parte do “segredo” de Fátima, publicado aqui pela primeira vez integralmente. Como resulta da documentação anterior, a interpretação dada pelo Cardeal Sodano, no seu texto do dia 13 de Maio, tinha antes sido apresentada pessoalmente à Irmã Lúcia. A tal propósito, ela começou por observar que lhe foi dada a visão, mas não a sua interpretação. A interpretação, dizia, não compete ao vidente, mas à Igreja. No entanto, depois da leitura do texto, a Irmã Lúcia disse que tal interpretação corresponde àquilo que ela mesma tinha sentido e que, pela sua parte, reconhecia essa interpretação como correcta. Sendo assim, limitar-nos-emos, naquilo que vem a seguir, a dar de forma profunda um fundamento à referida interpretação, partindo dos critérios anteriormente desenvolvidos.

Do mesmo modo que tínhamos indentificado, como palavra-chave da primeira e segunda parte do “segredo”, a frase “salvar as almas”, assim agora a palavra-chave desta parte do “segredo” é o tríplice grito: “Penitência, Penitência, Penitência!” Volta-nos ao pensamento o início do Evangelho: “Pænitemini et credite evangelio” (Mc 1, 15). Perceber os sinais do tempo significa compreender a urgência da penitência, da conversão, da fé. Tal é a resposta justa a uma época histórica caracterizada por grandes perigos, que serão delineados nas sucessivas imagens. Deixo aqui uma recordação pessoal: num colóquio que a Irmã Lúcia teve comigo, ela disse-me que lhe parecia cada vez mais claramente que o objectivo de todas as aparições era fazer crescer sempre mais na fé, na esperança e na caridade; tudo o mais pretendia apenas levar a isso.

Examinemos agora mais de perto as diversas imagens. O anjo com a espada de fogo à esquerda da Mãe de Deus lembra imagens análogas do Apocalipse: ele representa a ameaça do juízo que pende sobre o mundo. A possibilidade que este acabe reduzido a cinzas num mar de chamas, hoje já não aparece de forma alguma como pura fantasia: o próprio homem preparou, com suas invenções, a espada de fogo. Em seguida, a visão mostra a força que se contrapõe ao poder da destruição: o brilho da Mãe de Deus e, de algum modo proveniente do mesmo, o apelo à penitência. Deste modo, é sublinhada a importância da liberdade do homem: o futuro não está de forma alguma determinado imutavelmente, e a imagem vista pelos pastorinhos não é, absolutamente, um filme antecipado do futuro, do qual já nada se poderia mudar. Na realidade, toda a visão acontece só para chamar em campo a liberdade e orientá-la numa direcção positiva. O sentido da visão não é, portanto, o de mostrar um filme sobre o futuro, já fixo irremediavelmente; mas exactamente o contrário: o seu sentido é mobilizar as forças da mudança em bem. Por isso, há que considerar completamente extraviadas aquelas explicações fatalistas do “segredo” que dizem, por exemplo, que o autor do atentado de 13 de Maio de 1981 teria sido, em última análise, um instrumento do plano divino predisposto pela Providência e, por conseguinte, não poderia ter agido livremente, ou outras idéias semelhantes que por aí andam. A visão fala, sobretudo de perigos e do caminho para salvar-se deles.

As frases seguintes do texto mostram uma vez mais e de forma muito clara o carácter simbólico da visão: Deus permanece o incomensurável e a luz que está para além de qualquer visão nossa. As pessoas humanas são vistas como que num espelho. Devemos ter continuamente presente esta limitação inerente à visão, cujos confins estão aqui visivelmente indicados. O futuro é visto apenas “como que num espelho, de maneira confusa” (cf. 1 Cor 13, 12). Consideremos agora as diversas imagens que se sucedem no texto do “segredo”. O lugar da acção é descrito com três símbolos: uma montanha íngreme, uma grande cidade meia em ruínas e finalmente uma grande cruz de troncos toscos. A montanha e a cidade simbolizam o lugar da história humana: a história como árdua subida para o alto, a história como lugar da criatividade e convivência humana e simultaneamente de destruições pelas quais o homem aniquila a obra do seu próprio trabalho. A cidade pode ser lugar de comunhão e progresso, mas também lugar do perigo e da ameaça mais extrema. No cimo da montanha, está a cruz: meta e ponto de orientação da história. Na cruz, a destruição é transformada em salvação; ergue-se como sinal da miséria da história e como promessa para a mesma.

Aparecem lá, depois, pessoas humanas: o Bispo vestido de branco (“tivemos o pressentimento que era o Santo Padre”), outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas e, finalmente, homens e mulheres de todas as classes e posições sociais. O Papa parece caminhar à frente dos outros, tremendo e sofrendo por todos os horrores que o circundam. E não são apenas as casas da cidade que jazem meio em ruínas; o seu caminho é ladeado pelos cadáveres dos mortos. Deste modo, o caminho da Igreja é descrito como uma Via Sacra, como um caminho num tempo de violência, destruições e perseguições. Nesta imagem, pode-se ver representada a história dum século inteiro. Tal como os lugares da terra aparecem sinteticamente representados nas duas imagens da montanha e da cidade e estão orientados para a cruz, assim também os tempos são apresentados de forma contraída: na visão, podemos reconhecer o século vinte como século dos mártires, como século dos sofrimentos e perseguições à Igreja, como o século das guerras mundiais e de muitas guerras locais que ocuparam toda a segunda metade do mesmo, tendo feito experimentar novas formas de crueldade. No “espelho” desta visão, vemos passar as testemunhas da fé de decénios. A este respeito, é oportuno mencionar uma frase da carta que a Irmã Lúcia escreveu ao Santo Padre no dia 12 de Maio de 1982: “A terceira parte do “segredo” refere-se às palavras de Nossa Senhora: “Se não, [a Rússia] espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas”.

Na Via Sacra deste século, tem um papel especial a figura do Papa. Na árdua subida da montanha, podemos sem dúvida ver figurados conjuntamente diversos Papas, começando de Pio X até ao Papa atual, que partilharam os sofrimentos deste século e se esforçaram por avançar, no meio deles, pelo caminho que leva à cruz. Na visão, também o Papa é morto na estrada dos mártires. Não era razoável que o Santo Padre, quando, depois do atentado de 13 de Maio de 1981, mandou trazer o texto da terceira parte do “segredo”, tivesse lá identificado o seu próprio destino? Esteve muito perto da fronteira da morte, tendo ele mesmo explicado a sua salvação com as palavras seguintes: “Foi uma mão materna que guiou a trajetória da bala e o Papa agonizante deteve-se no limiar da morte” (13 de Maio de 1994). O fato de ter havido lá uma “mão materna” que desviou a bala mortífera demonstra uma vez mais que não existe um destino imutável, que a fé e a oração são forças que podem influir na história e que, em última análise, a oração é mais forte que as balas, a fé mais poderosa que os exércitos.

A conclusão do “segredo” lembra imagens, que Lúcia pode ter visto em livros de piedade e cujo conteúdo deriva de antigas intuições de fé. É uma visão consoladora, que quer tornar permeável à força santificante de Deus uma história de sangue e de lágrimas. Anjos recolhem, sob os braços da cruz, o sangue dos mártires e com ele regam as almas que se aproximam de Deus. O sangue de Cristo e o sangue dos mártires são vistos aqui juntos: o sangue dos mártires escorre dos braços da cruz. O seu martírio realiza-se solidariamente com a paixão de Cristo, identificando-se com ela. Eles completam em favor do corpo de Cristo o que ainda falta aos seus sofrimentos (cf. Col 1, 24). A sua própria vida tornou-se eucaristia, inserindo-se no mistério do grão de trigo que morre e se torna fecundo. O sangue dos mártires é semente de cristãos, disse Tertuliano. Tal como nasceu a Igreja da morte de Cristo, do seu lado aberto, assim também a morte das testemunhas é fecunda para a vida futura da Igreja. Deste modo, a visão da terceira parte do “segredo”, tão angustiante ao início, termina numa imagem de esperança: nenhum sofrimento é vão, e precisamente uma Igreja sofredora, uma Igreja dos mártires torna-se sinal indicador para o homem na sua busca de Deus. Não se trata apenas de ver os que sofrem acolhidos na mão amorosa de Deus como Lázaro, que encontrou a grande consolação e misteriosamente representa Cristo, que por nós Se quis fazer o pobre Lázaro; mas há algo mais: do sofrimento das testemunhas deriva uma força de purificação e renovamento, porque é a actualização do próprio sofrimento de Cristo e transmite ao tempo presente a sua eficácia salvífica.

Chegamos assim a uma última pergunta: O que é que significa no seu conjunto (nas suas três partes) o “segredo” de Fátima? O que é nos diz a nós? Em primeiro lugar, devemos supor como afirma o Cardeal Sodano, que “os acontecimentos a que faz referência a terceira parte do “segredo”de Fátima parecem pertencer já ao passado”. Os diversos acontecimentos, na medida em que lá são representados, pertencem já ao passado. Quem estava à espera de impressionantes revelações apocalípticas sobre o fim do mundo ou sobre o futuro desenrolar da história, deve ficar desiludido. Fátima não oferece tais satisfações à nossa curiosidade, como, aliás, a fé cristã em geral que não pretende nem pode ser alimento para a nossa curiosidade. O que permanece — dissemo-lo logo ao início das nossas reflexões sobre o texto do “segredo” — é a exortação à oração como caminho para a “salvação das almas”, e no mesmo sentido o apelo à penitência e à conversão.

Queria, no fim, tomar uma vez mais outra palavra-chave do “segredo” que justamente se tornou famosa: “O meu Imaculado Coração triunfará”. Que significa isto? Significa que este Coração aberto a Deus, purificado pela contemplação de Deus, é mais forte que as pistolas ou outras armas de qualquer espécie. O fiat de Maria, a palavra do seu Coração, mudou a história do mundo, porque introduziu neste mundo o Salvador: graças àquele “Sim”, Deus pôde fazer-Se homem no nosso meio e tal permanece para sempre. Que o maligno tem poder neste mundo, vemo-lo e experimentamo-lo continuamente; tem poder, porque a nossa liberdade se deixa continuamente desviar de Deus. Mas, desde que Deus passou a ter um coração humano e deste modo orientou a liberdade do homem para o bem, para Deus, a liberdade para o mal deixou de ter a última palavra. O que vale desde então, está expresso nesta frase: “No mundo tereis aflições, mas tende confiança! Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). A mensagem de Fátima convida a confiar nesta promessa.


Joseph Card. Ratzinger
Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé

(1) Lê-se no diário de João XXIII, a 17 de Agosto de 1959: “Audiências: P. Philippe, Comissário do S.O., que me traz a carta que contém a terceira parte dos segredos de Fátima. Reservo-me de a ler com o meu Confessor”.

(2) Vale a pena recordar o comentário feito pelo Santo Padre, na Audiência Geral de 14 de Outubro de 1981, sobre “O acontecimento de Maio: grande prova divina”, em: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, IV (Città del Vaticano 1981), 409-412; cf. L'Osservatore Romano (ed. portuguesa de 18-X-1981), 484.

(3) Radiomensagem durante o rito, na Basílica de Santa Maria Maior, “Veneração, agradecimento, entrega à Virgem Maria Theotokos”, em: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, IV-1 (Città del Vaticano 1981), 1246; cf. L'Osservatore Romano (ed. portuguesa de 14-VI-1981), 302.

(4) Na Jornada Jubilar das Famílias, o Papa entrega a Nossa Senhora os homens e as nações: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, VII-1 (Città del Vaticano 1984), 775-777; cf. L'Osservatore Romano (ed. portuguesa de 1-IV-1984), 157 e 160.

(5) Texto original da carta:

(6) Na “quarta memória”, de 8 de Dezembro de 1941, a Irmã Lúcia escreve: “Começo pois a minha nova tarefa, e cumprirei as ordens de V. Ex.cia Rev.ma e os desejos do Senhor Dr. Galamba. Excetuando a parte do segredo que por agora não me é permitido revelar, direi tudo; advertidamente não deixarei nada. Suponho que poderão esquecer-me apenas alguns pequenos detalhes de mínima importância”.

Texto original:

(7) Na citada “quarta memória”, a Irmã Lúcia acrescenta: “Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé etc.”.

Texto original:

(8) Na transcrição, respeitou-se o texto original mesmo quando havia erros e imprecisões de escrita e pontuação, os quais, aliás, não impedem a compreensão daquilo que a vidente quis dizer.

domingo, 12 de maio de 2019

VIDA EREMÍTICA INCUTIDA NO SÉCULO XXI

TRABALHO INTELECTUAL - Síntese Bibliográfica
Corrigido e adaptado pelo Ir. José Crucificado de Jesus Hóstia - EREMITA
Documento Original: Vivendo Nazaré

Falar de vida eremítica evoca tempos passados, ainda que seja uma vocação que com o passar dos anos se abandonou, ainda hoje, em pleno século XXI, é possível encontrar religiosos que optam por este estilo de vida.

Uma opção vocacional que está reconhecida pela Igreja Católica, como o recorda o Código de Direito Canônico em seu número 603: "A Igreja reconhece a vida eremítica ou anacorética, na qual os fiéis, com um apartamento mais estrito do mundo, o silêncio da solidão, a oração assídua e a penitência, dedicam sua vida o louvor de Deus e salvação do mundo".

"Um ermitão é reconhecido pelo direito como entregue a Deus dentro da vida consagrada, se professa publicamente os três conselhos evangélicos corroborados mediante voto ou outro vínculo sagrado, em mãos do Bispo diocesano, e segue sua forma própria de vida sob a direção deste", explica o Código de Direito Canônico.

Foi este estilo de vida que chamou a atenção do Irmão Rex, eremita da Irmandade 'Little Portion' da Diocese de Portland, Estados Unidos, quem fala de sua vocação e rompe alguns mitos sobre os ermitãos de hoje.

"A graça me atraiu a esta forma particular de discipulado. O exemplo dos Pais e Mães do Deserto me atraiu a esta vida. Também o exemplo de muitos dos grandes Santos ao longo da história, como Francisco de Assis, um santo conhecido que viveu como eremita por um tempo antes de ser chamado a fundar uma fraternidade religiosa de Irmãos", assinalou o religioso eremita em uma entrevista ao 'Catholic News Agency' (CNA).

Em um mundo onde o silêncio é escasso, onde há um constante movimento, e uma sociedade hiper conectada com as novas tecnologias, é estranho ter uma vida ermitã, mas a oração, o contato com Deus a partir da natureza é o que anima ao Irmão Rex a viver sua vocação, por isso não duvida em assinalar que o que mais lhe dá alegria é poder "passar longas temporadas no silêncio da solidão", e "estar na presença de Deus e do próximo através da oração".

Justamente um fator que enche a vida do religioso eremita é a oração, como narra o Irmão Rex: "Um aspecto alegre da minha vocação é que tenho a bênção de ser parte das vidas de outras pessoas, já que me convidam a unir-me a elas ao longo de sua vida através do ministério da oração intercessora".

Por isso, se levanta muito cedo, às 04h da manhã, para participar da Hora Santa entre as 05h e as 06h, e posteriormente assistir a Missa das 07h em uma paróquia local. Após tomar café da manhã, dedica o que lhe resta da manhã a Lectio Divina, e, em certas ocasiões, atender alguma pessoa para direção espiritual.

Conta que ora pelos católicos, pelos cristãos não católicos e a sociedade em geral: "Eles, como eu, viemos experimentar a liberdade, a felicidade e o gozo que provêm do submeter a própria vontade e vida ao amoroso senhorio de Jesus Cristo".

A tarde, após a oração do meio-dia e o almoço, o Irmão Rex dedica um tempo de trabalho, no qual responde e-mails e recebe pedidos de oração. Às 17h, reza as vésperas, janta cedo -às 17h30- e realiza a oração da noite às 19h, para ir descansar às 20h.

Como assegurou o eremita à CNA, "este horário é suficientemente rígido para proporcionar estabilidade à minha vocação no silêncio da solidão, mas suficientemente flexível como para fazer recados, encontros com o médico e realizar tarefas na ermita". (EPC)

sábado, 11 de maio de 2019

ORAÇÃO: COMO MELHORAR?

TRABALHO INTELECTUAL - Síntese Bibliográfica
Corrigido e adaptado pelo Ir. José Crucificado de Jesus Hóstia - EREMITA
Documento Original: Vivendo Nazaré

COMO MELHORAR E AUMENTAR O TEMPO DE ORAÇÃO

Dificilmente alguém pode viver uma vida de oração se passa horas a fio diante de uma tevê. Corte muitas atividades desnecessárias em sua vida e não perca muito tempo na tevê ou nessas atividades supérfluas.

O hábito da oração nos traz muita satisfação, alegria, paz, luz interior, força espiritual, segurança, prazer, e sabemos que estamos nos braços de Deus.
A técnica é ir aumentando cinco minutos de oraçãoa por semana (ou por dia). Em breve chegaremos nas duas horas e vinte e quatro minutos diários, que consiste no dízimo de um dia. O Beato Irmão Carlos de Foucauld rezava oito horas por dia!

A IMPORTÂNCIA DA ORAÇÃO

Não só é importante, como também é a atitude mais necessária para nossa salvação. Sem a oração, nunca conseguiremos nos encontrar com Deus e mudar a nossa vida para a santidade. Quem reza pouco, uns dez minutos por dia, procure aumentar pelo menos um minuto por semana, e ao fim de um ano, estará rezando por uma hora! O “dízimo” da oração seria 2 horas e 24 minutos.

Jesus orava sempre, em todas as ocasiões, no templo ou sozinho, à noite, de madrugada, no silêncio ou no meio do povo. Em Lucas 9,18, Ele estava no meio dos discípulos mas orava sozinho. Hoje em dia, mais do que nunca, precisamos nos acostumar a fazer isso, ou seja, aprendermos a nos isolar no meio do barulho, que hoje é tão constante, e no meio das pessoas.

Sobre a oração, seria bom ver também Mateus 14,19.23; cap. 26,36-44; Marcos 1,35; Lucas 5,16; cap. 15, 36; cap. 26,26-27; cap. 3,21; cap. 6,12; cap. 11,1; cap. 9, 18.28-29; João 17,1-5; cap 14,16 e muitos outros trechos.

A oração pode ser individual ou comunitária, vocal ou mental e de contemplação. Muitos fazem a leitura orante da bíblia, que consiste nestes passos:
1) – ler um trecho bíblico;
2) – meditá-lo;
3) – orar sobre o que meditou;
4) – contemplar Jesus baseando-se no texto e na oração.
Diz Santo Agostinho que o Pai-nosso é a oração mais completa que existe, e que não há nenhum pedido que não esteja incluído nela. No Pai-nosso fazemos sete pedidos, sendo três relacionados à glória de Deus e quatro relacionados à nossa vida. Veja o Pai-nosso em Mateus 6,9-13.

Há no Novo Testamento algumas parábolas que falam da oração. Veja e medite sobre o que elas dizem: Lucas 11,5-8, o amigo importuno; Lucas 18,1-8, o juiz iníquo; Lucas 18,9-14, o fariseu e o publicano.

Diz 1ª Tessalonicenses 5,17: “Orai sem cessar”, ou seja, sem desânimo. Se nos mantivermos sem pecado, tudo o que fizermos de bom será oração. Se não recebermos as graças, é porque Deus tem outros planos em seus desígnios.
Outro esclarecimento: A oração, em si mesma, não é poderosa, como vemos em propaganda: “Oração poderosa ao menino Jesus de Praga”, ou coisas desse tipo. Qualquer oração, se for feita com sinceridade, vai ser ouvida por Deus, nenhuma delas ficará sem resposta. Se Deus não nos atender do modo como pedimos, vai talvez dar um direcionamento diferente ao nosso pedido, de modo que estejamos sempre juntos a Ele, agora e depois de nossa morte.

Confiemos plenamente nele! Ele sabe o que é melhor para nós, e para executar seus planos, só precisa de nosso consentimento, que é dado pela oração. Na verdade, não são tanto as palavras da oração que movem Deus a nos ajudar, mas o simples fato de estamos ali, diante dele, pedindo que Ele interfira em nossa vida. É o que eu entendo com Apocalipse 3, 20; “Eis que eu estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos juntos.”

Pela oração, estamos abrindo as portas de nossa vida a Ele, para que Ele possa executar em nós o plano que tem a nosso respeito.

Nesse sentido, eu acho horrível e muito errado obrigar Deus a fazer o que quer que seja para nós, “determinando” a graça, como ouvi em programas evangélicos e até católicos. Não podemos determinar a graça de Deus. Ele que nos conceda o que bem entender! Veja o que diz Tiago 4,3-4 e 14-16 a esse respeito: em tudo busquemos a vontade de Deus.

Quanto à oração comunitária, devemos participar sempre que possamos. Se não pudermos participar da Missa ou da Liturgia da Palavra pelo menos uma vez por semana, busquemos a companhia de alguém e façamos com essa pessoa uma leitura bíblica, conversemos um pouco sobre essa leitura e façamos uma oração em comum.

Esse costume cumpre, de certa foma, a obrigação de participarmos da S. Missa uma vez por semana, principalmente nos domingos. Eu fiz isso várias vezes, nas férias, quando não havia nenhuma igreja perto e nenhum modo de celebrar a Missa.É vencermos o pecado. Jesus manda vigiar sempre, como vemos em Mateus 26,41; 1ª Pedro 5,8-9; 1ª Timóteo 4,26; Marcos 13,33-37; Apocalipse 16,15.

A ORAÇÃO NA BÍBLIA

A bíblia toda é como uma oração, mas temos os salmos, que eram músicas cantadas no templo, e muitas orações espalhadas pela bíblia, como o cântico de Ana, o Magníficat de Maria, o Benedictus de Simeão, alguns louvores de São Paulo, etc.

No Novo Testamento temos ainda o Pai Nosso que, em Mateus, traz sete pedidos e em Lucas, cinco (Mateus 6,9-13). Diz Santo Agostinho que qualquer pedido que façamos já está contido no Pai Nosso.

Há várias parábolas que falam da oração, como "O amigo importuno" (Lucas 11,5-8), "O Fariseu e o Publicano (Lucas 18,9-14), "O juiz iníquo" (Lucas 18,1-8). São Paulo diz, em 1ª Tessalonicenses: "Orai sem cessar!", ou seja, sem desânimo!.

Se não tivermos pecados, tudo o que fizermos poderá ser oferecido como orações, desde que tenhamos aqueles contatos pessoais com Deus durante o dia. Aí "oraremos sem cessar".
O Pe. Ponciano, de Aparecida disse, em certa missa, que "A oração diminui a distância entre nós e Deus".

A NECESSIDADE DA ORAÇÃO

A oração é a coisa mais importante que existe! Sem ela, não há como comunicarmos com Deus e não alimentamos nossa espiritualidade, nossa vida eterna, não adquirimos a força, o ânimo e a alegria de viver, não nos tornamos santos, não ajudamos as pessoas que precisam de nossa intercessão. Sem ela, nosso alimento espiritual, a vida perde o sentido e torna-se mais difícil de ser vivida. Ela renova as nossas forças para enfrentarmos as dificuldades não só de nossa vida normal, mas também de nossa vida cristã. Sem a graça de Deus, nada conseguiremos fazer e não poderemos nos salvar.
É por meio da oração que pedimos a intervenção de Deus em nossa vida e lhe dizemos “sim” à obra da Salvação. É pela oração que lhe pedimos perdão e lhe dizemos que perdoamos aos que nos ofenderam, a nos humilharmos diante dele, e abrimos as portas do coração, como pede o Apocalipse 3.20: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo”.

Abrir a porta a Deus é, antes de tudo, abri-la aos pobres e necessitados, aos doentes e oprimidos. Por outro lado, sem ela, nunca teremos ânimo nem desejo de fazer o bem a quem quer que seja. Abrir a porta a Jesus, pela oração, é, como na hemodiálise, “arejar”, filtrar”, “purificar” nossa vida, nossos desejos e propósitos, é tirar-nos de nós mesmos, do egoismo, e nos colocarmos à disposição dos outros e do que quer Jesus nos fazer.

Rezar é como ligar a TV na tomada, ou ligar o ferro de passar roupa, ou como colocar gasolina no carro, ou como instalar a bateria para dar-lhe a partida. “Sem a oração viramos bichos!” - diz com humor o bispo D. Angélico S. Bernardino. Também como dizia sempre o pároco de minha infância: “ Quem não reza para dormir, dorme burro e levanta cavalo!”.
A oração está para nós e Deus como a conversa para dois amigos. A oração é a “conversa” entre nós e Deus.

“ Para Deus tudo é possível” (Mt 19,26); “Para Deus nada é impossível” (Lc 1,37); “ Se tiverdes fé (...) nada vos será impossível” (Mt 17,20). Tomamos “posse” do Reino de Deus e dessa graça maravilhosa que ele está sempre disposto a nos dar, pela oração.

No silêncio interior nós ficamos sabendo quem realmente somos.

DICAS PARA UMA BOA ORAÇÃO

PRIMEIRA ETAPA: ESCOLHER UMA BOA POSIÇÃO
Escolha uma posição confortável para a oração. Quando sozinhos, podemos ficar em qualquer posição, desde que seja digna e com postura adequada. Quando em comunidade, devemos seguir as rubricas orientadoras (sentados, em pé, de joelhos).

Não se obrigue a ficar de joelhos em todo o tempo da oração, para não prejudicá-la. Quando conversamos com um amigo, de que modo ficamos? Pois a oração é a conversa com o único que é realmente nosso amigo, Jesus Cristo-Deus. O importante é sentir-se bem e confortável nesse encontro com Ele. As orações individuais podem ser mentais ou vocais, a seu gosto, e também a contemplação.

SEGUNDA ETAPA: FAZER SILÊNCIO

Se o silêncio não for possível exteriormente, ao menos o silêncio interior, como fez Jesus várias vezes, sendo uma dessas vezes contada por Lucas 9,18: Ele se isolou dos discípulos e da multidão apenas mentalmente, pois continuara no meio do barulho que eles faziam: “E aconteceu que, estado ele só, orando, estavam com ele os seus discípulos”.

Deus nos fala no silêncio e na calma. Veja a esse respeito o artigo do Dom Edson Damian, clicando no assunto “Deserto”, no índice. Dizia São Francisco de Salles, no século 16, que os homens se entopem de barulho para não ouvirem a voz de seus corações.. Em Oseias 2,16: “Vou levá-ao deserto e aí lhe falarei ao coração.”

Ficar sempre procurando o barulho é uma forma de nunca se ouvir nem ouvir a Deus; é uma fuga dos próprios problemas, é uma forma de não aceitá-los para enfrentá-los. Não tema o silêncio! Com a simplicidade e a pobreza de uma vida humilde e sincera, você não precisará temê-lo. Enfrente-se!

TERCEIRA ETAPA: A ORAÇÃO PROPRIAMENTE DITA

Aqui você reza como achar melhor. Há a oração contemplativa, a oração vocal, a oração mental, a meditação. Acho que todas elas se resumem nos passos da LEITURA ORANTE DA BÍBLIA, que já explicamos acima. Se você quiser ver a Leitura Orante da Bíblia de modo mais completo e bem explicado, clique neste site abaixo. É muito bom e bonito, da CNBB:

Uma coisa importante é ser espontâneo em nossas orações. Como diziam o Pe. Carlos de Foucauld : "Rezar é olhar para Jesus, amando-o!"e o Cura D'Ars, S. João M. Vianney: " Orar é olhar para Jesus sabendo que ele está olhando para você! "

A QUALIDADE DA ORAÇÃO

Não há oração poderosa, como se diz por aí. Toda oração pode ser ouvida, se Deus assim o quiser, se for feita com sinceridade de coração e se você estiver precisando daquela graça, ou seja, se essa graça for realmente útil para você.

Muito cuidado, também, para não "determinarmos" a graça de Deus. Isso é muito perigoso! Diz S. Tiago, 4,15: "Devemos falar: Se Deus quiser, viveremos ou faremos isto ou aquilo"
Reze com confiança e deixe tudo nas mãos de Deus. Limite-se a pedir e fazer tudo o que estiver ao seu alcance. O conceder ou não a graça depende a vontade dele.

Em Lucas 18,9-14 Jesus atende ao publicano por ter sido humilde em sua oração, mas não atende ao fariseu, por seu orgulho. Em Mateus 6,7, Jesus criticou a oração dos pagãos, que achavam ser atendidos pelo muito pedir. Como explicar, então, o Rosário, que parece ser uma repetição?
Na verdade, essa repetição é como um “mantra”, uma música de fundo, que forma como que o cenário para a oração princiapl, que é a meditação dos mistérios do rosário. Enquanto você reza as Ave-marias, seu espírito se une a Deus pela contemplação dos mistérios abordados.

Não se trata, portanto, de uma “vã repetição”, como poderíamos pensar. Aliás, o rosário desacompanhado das meditações dos mistérios não tem muito sentido, diz o falecido papa João Paulo II. 
Outra coisa é o modo de dar “receitas” de como rezar para obrigar Deus a nos atender. Isso é uma loucura! Já dizia o livro da Sabedoria 1,1-2: “ Pensai no Senhor com retidão, procurai-o com simplicidade de coração, porque Ele se deixa encontrar pelos que não o tentam”.
Ora, uma faz formas de “tentar” a Deus é exigir que ele nos atenda, e do nosso modo. Coloquemo-nos nas mãos de Deus, e ele saberá do que realmente precisamos para viver e como viver, a fim de irmos para o céu após nossa morte. Diz Jesus em Mateus 7,9-11:
“Quem de vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir um pão? Ou lhe dará uma cobra, se ele lhe pedir um peixe? Ora, se vós que sois maus sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedem!”

Pode ser, porém, que estamos na verdade pedindo a pedra, a cobra, em vez do pão ou do peixe. Só Deus sabe o que é melhor para nós! Devemos pensar não tanto nas coisas materiais, desta vida, mas na vida eterna!
Sobre a insistência na oração, Santo Agostinho diz que Deus sabe muito bem do que precisamos, mas quer que lhe peçamos muitas vezes para assumirmos aquilo que pedimos e nos conscientizemos da importância daquilo em nossas vidas.

Se o pai der a bike ao filho logo que ele lhe pedir, este não lhe dará o devido valor. Entretanto, se lhe prometer que lha dará no final do ano, caso ele tire notas boas, por exemplo, na certa o filho vai ansiar receber o presente, vai estudar bastante e animar seu coração para utilizar bem a bike, quando recebê-la.

Assim é nossa oração: a demora provocará uma atenção maior ao pedido que fizemos e daremos mais valor à graça de Deus quando a recebermos. Muitas vezes eu agradeço a Deus por não ter atendido alguns de meus pedidos no passado! Decerto, agora eu estaria arrependido. Ainda bem que Deus não me atendeu!

Quanto à oração comunitária, quando não der tempo ou certo de ir à missa, como por exemplo, quando tiramos férias num ambiente onde não haja possibilidade, não fique sem a celebração! Consiga pelo menos mais uma pessoa e façam uma leitura bíblica, comentem o que leram, façam uma oração em comum, e você estará não só agradando a Deus, mas também cumprindo o mandamento da Igreja que pede que participemos das missas aos domingos. Diz Mateus 18,20: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, aí eu estarei”.
A oração nos prepara para a provação, como diz Eclesiástico 2,1: “Filho, se aspiras a servir ao Senhor, prepara a tua alma para a provação!”

Orar é como lançar nossas raízes na corrente de água fresca (Salmo 1 e Jeremias 17,8), água fresca essa do amor de Deus. Nunca sentiremos o rigor da solidão, pois sempre sentiremos a presença de Deus. Sem a oração, nossa casa ficará deserta, pois não atenderemos Jesus, que quis reunir-nos “ Como a galinha reúne os pintinhos debaixo de suas asas” ( Mateus 23,37-38).

“Vossa casa ficará deserta!” Que palavras terríveis! Imaginemo-nos sozinhos num deserto! Assim será a nossa vida sem a oração! A oração é como a água fresca, as frutas geladinhas, o alimento saudável que matam nossa sede e nossa fome do amor de Deus!
Sempre imaginei o inferno como um terrível, árido quente e dolorido deserto, em que não veremos ninguém e nada! Assim será a nossa vida sem a oração.

“Ó Deus (...) a ti procuro, de ti tem sede minha alma! Minha carne por ti anseia como a terra ressequida, sedenta, sem água!” (do Salmo 62/63).

sexta-feira, 10 de maio de 2019

EREMITA CATÓLICO: COMO SE TORNAR UM EREMITA CATÓLICO

TRABALHO INTELECTUAL - Revisão Bibliográfica


Traduzido, corrigido e adaptado pelo Ir. José Crucificado de Jesus Hóstia - EREMITA
Matéria (original) :  Eremita Católico: Como se Tornar um Eremita Católico (Repostado)
Um eremita católico, consagrado e professado em particular, registra a subida espiritual da montanha sagrada, passo a passo.
Meu, este eremita católico nada consagrado ainda está rindo e pode ouvir minha querida Da espiritual rindo do céu. Quem teria pensado isso? De qualquer forma, é uma piada interna, de certa forma, que não tem sido engraçada em muitos aspectos por muitos anos, e pode não ter um resultado hilário para a pessoa perpetrando os feitos errados, mas que reviravolta nos acontecimentos de hoje. 

Nós apenas nunca sabemos, até que a verdade seja dita. Quando uma diocese nunca ouviu falar de um eremita CL603 em seu meio e não tem nada a ver com essa pessoa por várias razões, ela degrada a vocação eremita para outros aprovados canonicamente - e também para eremitas tradicionalmente professos de forma privada.

Independentemente disso, a informação mais procurada pelos leitores deste blogsite é: Como se tornar um eremita católico. Estou repostando isso a partir de agosto de 2016 e foi repostado de postagens anteriores para isso. Vale a pena repetir, especialmente desde que a vocação eremita tomou uma espécie de piada. 

Cabe àqueles de nós que honestamente se esforçam para viver nossos votos e professam, com sinceridade e humildade, para viver genuinamente esta vocação eremita, seja professa privada ou publicamente. Mas, por piedade, viva-a em verdade, bondade e de acordo com as tradições da Igreja. Esforçamo-nos continuamente por viver acima de tudo, como cristãos e eremitas, o que a Igreja afirma é a nossa vida consagrada como eremitas na Igreja Católica.

COMO SE TORNAR UM EREMITA CATÓLICO

Alguém novamente perguntou no dia anterior como se tornar um eremita católico. Já escrevi sobre esse processo anteriormente, mas o básico pode ser encontrado em O Catecismo da Igreja Católica e nos Institutos da Igreja. 

Eu estou postando os requisitos que são também, para aqueles nos Estados Unidos, no site da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos. É claro que o primeiro e principal caminho para se tornar um eremita católico é receber o chamado vocacional de Deus. 

É claro que o primeiro e principal caminho para se tornar um eremita católico é receber o chamado vocacional de Deus. Esse chamado pode ser discernido com a ajuda de um diretor espiritual / pai, um sacerdote, um bispo - mas principalmente através de muita oração e prática diária de julgamento em viver gradualmente os aspectos de viver a vocação eremita conforme delineado nas seções 920 e 921 do Catecismo da Igreja Católica. 

Também quero enfatizar que, contrariamente a apenas um blogueiro on-line que cria terminologia e rótulos que simplesmente não são mencionados em nenhuma documentação da Igreja, nem autorizado pelo Vaticano ou qualquer arcebispo, bispo ou outro funcionário da Igreja Católica, não há designações como "lay eremita" ou "dedicado eremita" na Igreja Católica. 

Como qualquer um pode ler os próprios documentos da Igreja, todos os eremitas católicos são eremitas católicos consagrados, professos em público ou não (estes últimos sob CL603, uma ressalva recentemente acrescentada à tradição vocacional eremita). 

Um requisito principal para todos que desejam se tornar um eremita católico continua professando os três conselhos evangélicos e se esforçando para viver a vocação eremita conforme estabelecido nas seções 920 e 921 do Catecismo. Todos os eremitas católicos, tendo professado seus votos em particular ou publicamente, devem incluir os três conselhos evangélicos. Eremitas são apenas uma das várias vocações designadas como sendo consagradas - especificamente listadas nos documentos da Igreja como parte da Vida Consagrada da Igreja [Católica].

Espero que este blog re-publicado de março de 2015 ajude o investigador com os parâmetros factuais da Igreja sobre como se tornar um eremita católico. Você pode querer procurar em meu blog o processo e as postagens anteriores escritas naquele mês e ano, pois expus os fatos, citando os vários documentos da Igreja incluindo alguns textos mais arcanos que exigiram um pouco de pesquisa, mas estão por aí. Eu penso que, como a Escritura nos diz, nós não devemos ficar muito presos na semântica, nem na separação dos cabelos. 

Especialmente para aqueles de nós com vocações na Vida Consagrada da Igreja ou nas Ordens Sagradas, devemos progredir de viver sob a lei; Jesus e os Apóstolos nos chamam de vez em quando para viver pelo Espírito. No entanto, para aqueles que se sentem mais seguros ou ainda precisam dos parâmetros das leis, honramos e valorizamos as leis da Igreja pelas razões óbvias de termos leis seculares também. Acima de tudo, quando se considera um eremita católico, saiba que o Senhor dá o chamado para qualquer vocação. Ore e ouça, discorde com seu padre ou diretor espiritual (sacerdote religioso, bispo etc.) e pratique a vida eremítica como parte do processo de discernimento. Vá com calma; Evite o extremismo. Sim, a vocação eremita é um processo a ser vivido e discernido ao longo de nossa vida.

Agora, para o post extraído deste blog, escrito em março de 2015: "De vez em quando, o nada eremita católico revisa os institutos da Igreja citados abaixo. Essa referência ajuda a refletir mais seriamente, a viver mais conscientemente e aceitar a grande responsabilidade do que a Igreja Católica exige e espera dos chamados e da Vida Consagrada da Igreja. "A vida consagrada do eremita é conseqüência direta, obviamente, de todos os eremitas católicos - cada um dos quais professa votos incluindo os três conselhos evangélicos (celibato, pobreza, obediência), embora nem sempre sejam os conselhos evangélicos professos publicamente. 

"Todos os eremitas católicos devem professar os três conselhos evangélicos segundo os institutos da Igreja no Catecismo da Igreja Católica [citado abaixo]. Do Catecismo da Igreja Católica: 

III A VIDA CONSAGRADA

914 "O estado de vida que é constituído pela profissão dos conselhos evangélicos, sem entrar na estrutura hierárquica da Igreja, pertence inegavelmente à sua vida e santidade". 453

Conselhos evangélicos, vida consagrada

915 Cristo propõe os conselhos evangélicos, em sua grande variedade, a todo discípulo. A perfeição da caridade, à qual todos os fiéis são chamados, implica para os que seguem livremente o chamado à vida consagrada a obrigação de praticar a castidade no celibato em prol do Reino, da pobreza e da obediência . É a profissão desses conselhos, dentro de um estado permanente de vida reconhecido pela Igreja, que caracteriza a vida consagrada a Deus . 454

916 O estado de vida consagrada é, portanto, uma forma de experimentar uma consagração "mais íntima" , enraizada no Batismo e totalmente dedicada a Deus. 455 Na vida consagrada, os fiéis de Cristo, movidos pelo Espírito Santo, propõem seguir mais de perto o Cristo, entregar-se a Deus que é amado acima de tudo e buscar a perfeição da caridade no serviço do Reino para significar e proclamar. na Igreja a glória do mundo por vir. 456

Uma grande árvore, com muitos ramos

917 "Da semente dos conselhos dada por Deus, uma árvore maravilhosa e difundida cresceu no campo do Senhor, ramificando-se em várias formas da vida religiosa vivida em solidão ou em comunidade. Diferentes famílias religiosas entraram em existência na qual os recursos espirituais são multiplicados para o progresso na santidade de seus membros e para o bem de todo o Corpo de Cristo ”. 457

918 Desde o início da Igreja havia homens e mulheres que se propuseram a seguir a Cristo com maior liberdade e a imitá-lo mais de perto, praticando os conselhos evangélicos. Eles levavam vidas dedicadas a Deus, cada um a seu modo. Muitos deles, sob a inspiração do Espírito Santo, tornaram-se eremitas ou fundaram famílias religiosas. Estes a Igreja, em virtude de sua autoridade, de bom grado aceitou e aprovou. 458

919 Os Bispos esforçar-se-ão sempre por discernir novos dons de vida consagrada concedidos à Igreja pelo Espírito Santo; a aprovação de novas formas de vida consagrada é reservada à Sé Apostólica. 459

A VIDA EREMITA

920 Sem sempre professar publicamente os três conselhos evangélicos, os eremitas "dedicam a sua vida ao louvor de Deus e à salvação do mundo através de uma separação mais rigorosa do mundo, do silêncio da solidão e da oração e penitência assíduas". 460

921 Eles manifestam a todos o aspecto interior do mistério da Igreja , isto é, a intimidade pessoal com Cristo .Escondida dos olhos dos homens, a vida do eremita é uma pregação silenciosa do Senhor , a quem ele entregou sua vida simplesmente porque ele é tudo para ele. Aqui está um chamado especial para encontrar no deserto, no meio da batalha espiritual, a glória do Crucificado. [Ênfase adicionada para reflexão e consideração.]

"Assim, a vida consagrada do eremita é de conseqüência direta, obviamente, para todos os eremitas católicos - cada um dos quais professa votos incluindo os três conselhos evangélicos (celibato, pobreza, obediência), embora nem sempre os conselhos evangélicos sejam professados ​​publicamente. 

"Todos os eremitas católicos devem professar os três conselhos evangélicos segundo os institutos da Igreja em O Catecismo da Igreja Católica[citado abaixo]. 

"Alguns eremitas católicos professam os três conselhos evangélicos sob a condição adicional de CL603. No entanto, parece que a semântica de" publicamente "pode ​​ser confusa devido à palavra" publicamente "usada por uma ressalva adicional da Lei Canônica 603. Talvez a atual A cunhagem do termo "profissão pública" deve-se a CL603, declarando que os conselhos evangélicos devem ser professados ​​publicamente nas mãos do bispo diocesano . " [Veja a Lei Canônica 603, citada para revisão e consideração na minha série de posts sobre esse tópico, postada em março de 2015.] Eu concluo com esse pensamento adicional para o leitor que queria saber como se tornar um eremita católico.

                                    Traduzido do original com ajuda do Google Tradutor
© Ir. José Crucificado de Jesus Hóstia

quinta-feira, 9 de maio de 2019

A PERFEIÇÃO DAS OBRAS ORDINÁRIAS

TRABALHO INTELECTUAL - Síntese Bibliográfica
Corrigido e adaptado pelo Ir. José Crucificado de Jesus Hóstia - EREMITA
Documento Original: Virtudes Cristãs do Pe. Afonso Rodrigues - Companhia de Jesus


O que são Obras Ordinárias? 
São as atividades do dia a dia, que estão enraizadas a nossa Regra, modo de vida que são as obras simples. No entanto, não só materiais como os domésticos mas também os espirituais.

Não consiste em ser religiosos apenas, mas em ser BONS RELIGIOSOS. A vida de religioso, apenas, é insuficiente. Por exemplo: assim como o hábito não faz o Religioso, o lugar também não o faz, mas uma vida boa e santa. Manter-se na virtude apesar das circunstâncias irem contra os seus princípios. A perseverança é a ponte principal que levará a alma religiosa a seu fim último; sempre irão existir ventos contrários a seu modo de vida.

Já se diz que se conhece uma árvore pelos seus frutos.

Santo Agostinho diz: "Nós somos a árvore e os frutos são nossas boas obras" então, as Obras são as nossas obras diárias: Missas, Comunhão, Ofício Divino, Exame de consciência, todos buscando a perfeição. 
Obras e Missão não se completam são duas realidades que divergem entre si, ou seja, obras são as práticas diárias e Missão é uma vertente na qual emprenhamos para a evangelização dos que necessitam. 

A perfeição das obras apontam quem é o religioso. Se o faz com perfeição, este é perfeito, do contrário será imperfeito, isso é fato. 
Santa Catarina de Sena diz: "O bom religioso é estável" , a excelência nas obras. A serenidade é uma característica da excelência das Obras em perfeição. 

Pontos de uma perfeição nas Obras Ordinárias:

> Limpeza do Cenóbio ou Eremitério
> Organização
> Ofícios 
> Devoções
> Exame de consciência 

As Obras de Perfeição é dividida em três graus (por muitos santos):

Principiantes: são os que estão inciando na vida religiosa, na vida de perfeição.

Profecientes: são os que tem uma maior abertura, principalmente de consciência, para inclinação à perfeição. (maior imersão na Regra de Vida)

> Perfeitos: são os que fazem tudo com exatidão e com perfeição à Santa Regra. (Muito raro encontrar religiosos nesse grau de perfeição; mais fácil encontrar no segundo grau ou até mesmo no primeiro)

É interessante notar que todos temos 24 horas por dias, meses e anos, mas o que faz a diferença é a excelência (intensidade de amor e perfeição empregada nos gestos comuns que nos faz mais perfeitos) que aplicamos na nossa vida cotidiana.  
Jesus nos fala através dos evangelhos: uns irão produzir cem por um, outro sessenta por um e outros ainda trinta por um. Nosso aproveitamento espiritual consiste parte de dois princípios fazer o que Deus quer, e como Ele quer. 
Expliquemos:
o que Deus quer: é viver em perfeição todos os pontos da Regra.
> e como Ele quer: é colocar os mesmos afetos e intensidade como Deus faz para conosco. 
Corresponder em perfeição à Regra é viver em tudo as moções que o Espírito Santo nos aponta. A docilidade a vontade de Deus é o que nos inclina cada vez mais a perfeição.
Subindo nesses degraus iremos chegar a perfeição até nos ofícios mais simples e humildes. 
"A perfeição nos ofícios ordinárias da Regra vale muito mais que as mais severas penitências feitas ao capricho de suas vontades"

terça-feira, 7 de maio de 2019

TEMPERAMENTOS | MELANCÓLICO

É um temperamento analítico, abnegado, bem dotado e perfeccionista. Isto o faz admirar as belas artes. É introvertido por natureza. Mas as vezes é levado por seu ânimo a ser extrovertido. Outras vezes enclausura-se como caramujo, chegando a ser hostil. É amigo fiel, mas não faz amigo facilmente, por ser desconfiado. Tem habilidade de analisar os perigos que o envolve. Força-se a sofrer e sempre escolhe uma vocação difícil, que envolva grande sacrifício pessoal. Muitos dos grandes gênios do mundo, artistas, músicos, inventores, filósofos, educadores e teóricos, eram melancólicos. Podemos ver estas características em personagens bíblicos de projeção como, Moisés, Elias, Salomão, o apóstolo João e muitos outros.

Vejamos suas forças e fraquezas:

Forças: Habilidoso, delicado, leal, idealista e minuncioso…

Fonte: Google Imagens
Fraquezas: Egoísta, amuado, pessimista, confuso, antissocial e vingativo…

Problemas causados: Espera muito das pessoas, em troca do que faz. Intromete-se onde não deve, gasta tempo com o que não deve, atrapalhando seu serviço, tem aversão as pessoas que tem ponto de vista diferente, entra em atrito com as pessoas que se opõe ao seu caminhar.

Na Bíblia vemos como melancólico Moisés: Muitos personagens da Bíblia demonstraram possuí-lo, mas o mais destacado foi Moisés; ele era talentoso At.7:22; abnegado, Hb.11:23-27; perfeccionista (Deus usou essa qualidade para lhe dar os detalhes da Lei, da justiça divina e do Tabernáculo); leal (os livros da Lei, revelam isso) e extremamente dedicado, Ex.32:31-32. Mas sofria de um complexo de inferioridade que trazia à tona todas as fraquezas do melancólico, Ex. 3:11-13; Ex. 4:1,3,10,13. Muitas vezes se deixava dominar pela ira, Nm.20:9-12 e pela depressão, Nm.11:11-15.

Profissionalmente: Podem ser artistas, músicos, inventores, filósofos e educadores.

Dicas para servir a Deus: Se você é melancólico, use toda sua sensibilidade, habilidade e dedicação ao Reino de Deus e evangelize pelas artes.

TEMPERAMENTOS | FLEUMÁTICO

O fleumático, geralmente é calmo, frio, equilibrado e por isso a vida para ele é feliz e descompromissada; raramente explode em risos ou em raiva, conseguem fazer os outros rirem, mas ele mesmo não solta um sorriso sequer; sempre diz: “alguém devia fazer alguma coisa”, mas ele não faz. Porém é habilidoso para promover paz e conciliação.

E é claro que traz suas forças e fraquezas:

Forças: É calmo, tranquilo, cumpridor dos deveres, líder, imperturbável, para ele é fácil ouvir os outros em seus problemas, o que é difícil para o sanguíneo e colérico, trabalha bem sob pressão, por isso cumpre suas obrigações e gosta de cumprir horários.
Fonte: Google Imagens


Fraquezas: É um tipo de pessoa calculista, desmotivada. É muito pretensiosa, desconfiada, e isto a afasta dos outros. É pessoa indecisa nas suas decisões e temerosa. Esse tipo de pessoa é muito castigada pelo seu egoísmo.

Problemas causados: Através das suas piadas não se esforça para realizar suas tarefas em ritmo satisfatório.

Na Bíblia temos Abraão como fleumático: Todas as qualidades do fleumático estavam presentes na vida do fiel Abraão. Ele era pacífico, prático e bem humorado, Gn.13:8-9; leal, calmo e eficiente, Gn.14:14-16; cumpridor de seus deveres, Gn.14:20; conservador em seus princípios, Gn.14:22-24. Deus o provou em todas as suas promessas, mas ele permaneceu firme na fé. Dele disse Deus: “Eu o tenho conhecido”, Gn.18:19. Todavia, ele apresentava também os defeitos desse tipo de temperamento. Com o crescimento da sua vida espiritual e submissão a Deus, assumiu suas posições e foi liberto da incredulidade, Hb.11:8-9; do medo, Hb.11 :17 e fortalecido na fé, Gn.22:8. Apesar de seu temperamento, o seu direcionamento à Deus, o fez um dos maiores homens que já viveu.

Profissionalmente: Podem ser bons diplomatas, administradores, professores e técnicos.
Dicas para servir a Deus: Se você é fleumático, use seu amor, sua maneira carinhosa de ser, para mostrar ao mundo que vive no ódio e no desamor, o amor Daquele que deu o Seu único Filho por nós e que nos amou primeiro.

TEMPERAMENTOS | COLÉRICO

É um temperamento ardente, vivaz, ativo, prático e voluntarioso. Por ser decidido e teimoso, torna-se auto-suficiente e muito independente. Por ser ativo, estimula os que estão ao seu redor, não cede sobre pressões. Possui uma firmeza no que faz, o que o faz frequentemente obter sucesso. Não é dado as emoções, por ser pouco analista, não vê as armadilhas na sua trajetória. Muitos líderes mundiais e grandes generais foram coléricos.

Forças: É otimista, enérgico, prático, líder, audacioso, autodisciplinado e auto determinado, não tem medo de situações difíceis nem de grandes desafios, estes o estimulam ainda mais, é alguém de objetivos e por isso a dificuldade não o esmorece…
Fonte: Google Imagens



Fraquezas: Ira, impetuosidade, auto-suficiência, é vingativo e amargo, por isso tem tendência ter úlcera antes dos 40 anos, muitas vezes falará coisas cruéis, sarcásticas e mordazes (ofensas grosseiras e refinadas), embora seja de fato capaz, sua arrogância tende causar antipatia nos outros temperamentos…

Problemas causados: Torna-se exigente com os seus, é uma pessoa de muitos argumentos, impiedoso nas decisões, ausência de bondade, cria padrões difíceis de serem alcançados, utiliza-se das situações.

Na bíblia, temos um grande colérico, Paulo: A principal qualidade do colérico é a força de vontade, que faz dele uma pessoal enérgica, eficiente, resoluta, e um líder cheio de audácia e otimismo. Paulo foi um portador desse temperamento notável, o livro de Atos e suas cartas no-lo revelam. Apesar deste caráter ativo, prático, dinâmico e corajoso, Paulo antes de conhecer a Jesus e receber o Espírito Santo, demonstrou-se um homem cruel, zangado, hostil e amargurado.

Profissionalmente: São sempre bons gerentes, planejadores, produtores ou ditadores.

Dicas para servir a Deus: Se você é colérico use toda sua audácia, coragem e eficiência, como Paulo, para falar em qualquer tempo e em qualquer lugar, sobre o Jesus crucificado, mas ressurrecto.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

OS EREMITAS URBANOS

TRABALHO INTELECTUAL - Revisão Bibliográfica

Traduzido, corrigido e adaptado pelo Ir. José Crucificado de Jesus Hóstia - EREMITA
Matéria (original) : Vittorio Messori

02/05/2019 do ano da Graça de Deus!

Os eremitas de hoje vivem na cidade

Seu número cresce a cada dia. Passam sua vida em oração, não temem a pobreza e rejeitam qualquer hierarquia. Sua força está em contrariar o espírito atual. A Igreja decidiu reintegrar os eremitas no Direito Canônico (sejam urbanos ou rurais). Esses eremitas não querem ser notícia, buscam o silêncio e a discrição. Sua porta ficará sempre fechada para quem se aproxime dele como jornalista ou simplesmente um curioso. Tenho o privilégio de conhecer alguns pessoalmente, porém não teria acesso algum a seus esconderijos se violasse a promessa de não dar nomes nem endereços. De toda forma se alguém quer buscar seu rastro que não busque em lugares íngremes: é muito mais provável que os encontre nos quartinhos, ou quitinetes dos centros metropolitanos. Esses eremitas estão retornando pela porta grande e seu número cresce a cada ano, ainda que poucos o sabem, como é óbvio, dado seu empenho em passar despercebidos.

A Igreja porém sim, sabe de sua existência. E decidiu voltar a dar um lugar dentro de sua estrutura. Pois o Código de Direito Canônico de 1917 os havia ignorado, não por hostilidade, senão porque parecia que formavam parte de página do Cristianismo, longa e gloriosa, porém definitivamente encerrada. 
Uma página que se iniciou quando no Oriente milhões de crentes fugiram no deserto ou nas montanhas: grutas e ou cabanas se encheram de solitários que lutavam tanto contra leões e serpentes como contra os demônios tentadores. A fama de seus jejuns, das penitências, do silêncio ininterrupto provocava a afluência de discípulos, e com frequência o solitário se via obrigado a acolhe-los, criando – as vezes contra a sua vontade- uma comunidade a dar uma regra. Também foi este o destino de quem no Ocidente ia a ser a origem da forma de monacato que marcaria os séculos seguintes beneficamente. São Bento de Núrsia (região da Itália) começou como eremita, porém sua mesma fama de santidade lhe tirou da gruta e lhe forçou a transformar-se em mestre e legislador de cenóbios.

A Idade Média se encheu de eremitas, muitos dos quais encontravam seu sustento guardando cemitérios, pontes ou santuários. O declínio começou com o Concílio de Trento, que desconfiou dos anacoretas porque eram incontroláveis, e concluiu no Século das Luzes e da Revolução Francesa que perseguiu estes “parasitas anti- sociais” aos que também consideravam “fanáticos obscurantistas”. No século XIX o eremita ficará condenado a ser quase um personagem de novela romântica, ao estilo do Conde de Monte Cristo. Dentro da Igreja, a vocação a solidão havia ficado canalizada desde há muito tempo através de Ordens religiosas como as dos Cartuxos ou dos Camaldulenses, e nas que o isolamento é unido com a comunhão com os irmãos, na oração e nos atos comunitários.

Se dizia que o silêncio do Código eclesiástico de 1917 era significativo : já não ficam anacoretas, fora de suas regras. E em troca, esta vocação, -rara, porém insuprimível- desde logo não havia desaparecido, senão que se incubava debaixo das cinzas, de modo que o novo Código publicado em 1983 há tido que levantar uma ata, O segundo parágrafo do cânon 603, a Igreja reconhece oficialmente aos eremitas como “consagrados” se “mediante voto ou outro vínculo sagrado, professam publicamente os três conselhos evangélicos (pobreza, castidade, obediência) nas mãos do Bispo diocesano”, e se o mesmo Ordinário do lugar os aprova uma regra que eles mesmos escreveram. Uma regra equilibrada, com requisitos mínimos, porém tal como é obrigado para uma eleição de vida inspirada pela obediência a Igreja e a leitura mais rigorosa do Evangelho a vez que pela liberdade e a autonomia dos filhos de Deus que seguem uma vocação particular e de todo pessoal.

As estatísticas são difíceis, por não dizer impossíveis: ainda que se lhes conheçam, muito raramente os eremitas respondem a pesquisas ou questionários. Agora surgiu uma investigação dos jesuítas americanos que há tido um certo tipo de êxito, de uma resultado de cerca de 600 eremitas em todo mundo que conseguiu cerca de 140 respostas. Uma miséria para qualquer outra categoria de eremitas, que se nos atentarmos para os valores fiáveis, contaria em todo o mundo com vinte mil pessoas. Na Itália de mil a mil e duzentos, divididos quase igual entre homens e mulheres. A imensa maioria é católica, ainda que não faltem outras confissões cristãs e outras confissões. Como alguém assinalou, o anacoreta é o mais “ecumênico” dos crentes -vivendo todos os dias- os valores que unem todas as confissões: oração, penitência, sacrifício, isolamento, contemplação.

Parece que entre os novos eremitas italianos também se cumpre o que revela a investigação americana, segundo a qual, apenas 2 % escolheu viver em grutas ou lugares desse estilo como galerias subterrâneas. Nem a maioria se encontra no campo ou nas montanhas. Na realidade, o maior número dos eremitas atuais são urbanos !

A cidade grande é o verdadeiro lugar da solidão e do anonimato, do combate silencioso contra os novos demônios. A maioria tem entre cinquenta e sessenta anos, e são raríssimos os que estão com menos de trinta. 

Não há mais que recordar o velho provérbio: “Para um jovem eremita, um diabo velho”. Todos os mestres da vida espiritual hão ensinado sempre que uma vocação assim distingue a uma elite de homem e de mulheres particularmente experimentados. De fato, no eremitério não se tem o apoio de uma comunidade fraterna; a solidão e o silêncio constantes são uma alegria apenas para quem realmente há sido chamado; [alguns] nem sequer contam com algum hábito ou distintivo.

Não somente: a obrigada pobreza se converte muitas vezes em miséria, sobretudo para quem encontrou na cidade o seu “deserto”, dado que o anacoreta buscará fugir de toda “dissipação”, e por tanto, dos trabalhos em fábricas ou oficinas, viverá das pequenas coisas que possa fazer dentro de suas modestíssimas quatro paredes. Isto quase nunca assegura os ingressos suficientes para uma que uma vida não se deslize da pobreza para a indigência. Esta é uma das razões pela que muitos esperam ter uma idade suficiente para uma pequena aposentadoria ainda que mínima, que lhes permita cultivar em paz sua própria vocação.

Em geral tem mas sorte para o sustento diário aqueles que tem sua casa no campo. Todas as experiências dão fé de que no princípio, é difícil pela desconfiança dos moradores que se perguntam quem será esse (a) “forasteiro (a)” estranho que, no geral, tem um ar distinto ( a maioria tem faculdade), que [quase] não recebe visitas, que não tem telefone, nem televisão, que dorme com as galinhas e acorda com a aurora, e que só fala com os demais – pároco inclusive- as mínimas palavras indispensáveis. De tal modo é isso que a primeira visita, em geral é da polícia local, alertado das observações dos vizinhos ! Depois, pouco a pouco, se aceita o (a) “forasteiro (a)” como um membro da comunidade, alguém singular.

Ainda que a maioria dos eremitas sejam leigos, também são numerosos aqueles sacerdotes, freis ou monjas que chegam a vida eremítica depois de muitos anos em comunidades tradicionais. São os mais afortunados, pois uma vez que lhes é concedido dar o passo a esta nova forma de vida, podem ter a ajuda da família religiosa da qual provêm.

Porém, Porque uma escolha assim? Primeiro temos que dizer que se trata de uma vocação, um chamado, que floresceu novamente por reação a uma embriagues “comunitária”, “social”-e porque não dizer mundana- que arruinou muitos ambientes religiosos.O excesso da insistência com o compromisso com o mundo, o transbordamento das palavras, faladas e escritas, levaram a muitos a redescobrir a força da oração e o gozo do silêncio. 

O eremita dá sua vida por coisas “inúteis” segundo o mundo e, desgraçadamente também segundo certa “cultura da eficiência” cristã atual. A simples regra que ele mesmo escreve a si, e que quer submeter a aprovação do bispo, prevê, sobretudo, horas de oração, de leitura espiritual e de meditação. Prevê vigílias, jejuns, penitências, renúncias. No eremita há uma rejeição radical da lógica mundana, para a qual somente a ação, a política, o compromisso social, as inversões econômicas podem mudar o mundo para melhor. Ele por sua parte, respondeu a um chamado, que o fez compreender até o fim que somente quem entrega sua vida a salva, e que o modo mais eficaz de amar e de ajudar é de sepultar-se debaixo do anonimato, no silêncio, na impotência, crendo até o mais profundo no mistério da “comunhão dos
santos”.

Creio que isto é o que queria dizer a inscrição que vi na parede da cela de um anacoreta em um eremitério deteriorado no coração de Turín: “O que vai ao deserto, não é um desertor”. Nada de um desertor, senão um crente que, em vez do ativismo construído apenas na aparência, decidiu praticar a forma mais alta de caridade na perspectiva evangélica: a oração ininterrupta por todos, e na solidão e no silêncio mais radicais.”

quarta-feira, 1 de maio de 2019

01 DE MAIO | MÊS MARIANO | SÃO JOSÉ OPERÁRIO

01/05/19 do ano da Graça do Senhor
Louvores a Deus!

Caros leitores,

Hoje é uma data muito especial para a Igreja e para nós verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Rendemos glórias a Deus hoje pelo nosso Patriarca São José em especial pelos trabalhadores, ele que foi exemplo vivo de pai, filho, irmão e cuidador de Jesus; aquele que em tudo soube fazer concreta a vontade de Deus. Na qualidade de pai adotivo, estando infinitamente abaixo de Seu Filho, ele não manda no seu filho como é o papel do pai. Então não pede, não quer e não faz nada que seja contrário a Vontade de Seu Filho que a Vontade Imutável de Deus.

Fonte: Google Imagens

Hoje rogamos a São José Operário para que como uma chuva de graças seja derramada sobre o Brasil em forma de trabalhos dignos para todos os desempregados e fortalecimento para aquele que tem seu trabalho digno.

Que a figura de são José, o humilde trabalhador de Nazaré, nos oriente em direção a Cristo, sustente o sacrifício daqueles que praticam o bem e interceda por aqueles que perderam o emprego ou não conseguem encontrá-lo.
São José Operário, padroeiro dos trabalhadores, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS! 

DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA | TOMO IV - CONSEQUÊNCIAS - MARIA É NECESSÁRIA AOS HOMENS PARA CONSEGUIR A SALVAÇÃO


DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA | TOMO III - DEUS DESEJAVA SERVIR-SE DE MARIA NA SANTIFICAÇÃO DAS ALMAS

DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA | TOMO II - DEUS DESEJA SERVIR-SE DE MARIA NA ENCARNAÇÃO